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sábado, 21 de maio de 2011

Atenção Portugal e Unesco: Língua Portuguesa no Brasil sob vandalismo!


Por P. A. Marangoni



                                                                   “A ortografia é um fenômeno da cultura, e                                                 portanto um fenômeno espiritual. O Estado nada tem com o espírito. O Estado não tem direito a compelir-me, em matéria estranha ao Estado, a escrever numa ortografia  que repugno, como não tem direito a impor-me uma religião que não aceito.” (Fernando Pessoa)

A Língua Portuguesa, falada por mais de 200 milhões de pessoas,é um  patrimônio da Humanidade, não pertence a um país e muito menos ao atual  governo brasileiro - que se vem mantendo no poder à custa de corrupção,  chantagem, ligações com narcotraficantes e falcatruas de todos os tipos,  constituído por elementos avessos à cultura, que dela debocham  publicamente e fazem culto à ignorância.
 
 Este governo passou procuração a um grupelho de intelectuais militantes  de esquerda que querem usar a língua portuguesa politicamente, como se  instrumento particular fosse, de forma irresponsável, inconsequente,  alterando a seu arbítrio a gramática, desprezando regras, admitindo e  oficializando erros como no livro "Por uma vida melhor", em nome de suas  ridículas teorias de combate à discriminação, a palavra mais usada por  esses beócios oficiais.
 
 Fora da realidade, cegos em seu egocentrismo, em sua empáfia,  alimentados pela bajulação governamental, acreditam realmente em suas  estúpidas teses e tornam-se incapazes de entender que são apenas  inocentes úteis nas mãos desta ditadura que nos assola e cujo objetivo é  nivelar todos por baixo, mantendo a ignorância e esmagando as classes  mais cultas, transformando o povo em um rebanho dócil, sem voz, que
 possa ser dominado com facilidade.
 
 Como povo, não podemos nos queixar desse Reino da Ignorância, essa  quadrilha foi levada ao poder pelo voto da maioria e o Brasil se  reafirma, já por três eleições,como um país de quadrúpedes.
 
 Mas existe uma significativa parte da população, derrotada nas urnas,  que é justamente a mais culta, que mais produz, que repudia a tosca e  indolente esquerda no poder, e que leva a Nação às costas, arrastando o
 peso da escumalha parasita.
 
 E que tem filhos que deseja possam crescer em ambiente propício, com  educação compatível - direito inalienável - para que possam gerir sua  herança social com competência.
 
 E que entende o tesouro que é a língua portuguesa, sua riqueza e as  possibilidades que ela oferece em termos de aquisição permanente de  cultura, convívio entre povos, ligação com a História Universal e a
 responsabilidade que nos foi repassada de mantê-la íntegra, imperecível.
 
 Temos que suportar o governo da maioria enquanto nação una, mas não  podemos permitir, na condição de herdeiros da língua portuguesa, que ela   seja atacada e corrompida!
 
 Se aqui estamos subjugados pela ditadura da ignorância, apelamos à  Pátria Mãe - Portugal - aos PALOP - países africanos de língua  portuguesa - ao Timor Leste, às pequenas comunidades espalhadas pelo  Mundo a fora e que tratam a língua portuguesa como religião, tradição a  ser cultuada, elo que nos une.
 
 A Macau, a Goa, a Damão Diu, a Dadrá, a Nagar Aveli, a Malaca - e também  à UNESCO e UNICEF, para que atentem ao que se está passando e  intervenham já, pois se trata de atos insanos contra esse patrimônio  mundial e contra nossas crianças e adolescentes, no raiar da sua vida  cultural e da formação da suas personalidades .

A QUARTA FRONTEIRA


POR HEITOR DE PAOLA

10/05/2011

No último encontro dos articulistas do Jornal Inconfidência, no Rio de Janeiro, assistimos a uma brilhante apresentação do Cel. Manuel Soriano Neto sobre Estratégias de Defesa das Fronteiras Brasileiras, abordando as fronteiras terrestre, marítima e aérea. Há poucos dias tivemos a oportunidade de assistir na TV Bandeirante à entrevista do Gen. Augusto Heleno Pereira (http://www.youtube.com/watch?v=0bK7n3I99N4) com especial ênfase na fronteira da Amazônia e as enormes dificuldades de patrulhar tão extenso território – são 11.000 km só de fronteira na selva com uma quantidade incontável de rios, riachos e igarapés – com o orçamento apertado das FFAA brasileiras.

Na minha intervenção naquela memorável reunião pus ênfase no fato de que, por mais que se possam defender eficientemente essas fronteiras físicas, há outra fronteira, invisível aos olhos de quem não estudou a matéria, mas que é tão ou mais importante: aquela que, na falta de um termo melhor, denomino genericamente fronteira ideológica. Não me refiro ao conceito hegeliano de ideologia, mas à infiltração muitas vezes subliminar, de idéias que minam não somente o conceito de nacionalidade, como também as crenças religiosas, os valores pátrios e as tradições nacionais, a moral e os costumes, a linguagem – enfim, tudo o que mantém nosso país uno e indivisível.

Não há espaço para abordar todas as fronteiras num único artigo. Limitar-me-ei, portanto, a uma delas, a mais palpitante na atualidade, deixando as demais para as próximas edições.

A FRONTEIRA LINGUÍSTICA

Não tomem quartéis, tomem escolas e universidades, não ataquem blindados, ataquem idéias

ANTONIO GRAMSCI

Um dos fundamentos que nos une é a língua. Na Espanha, um país de várias etnias e identidades regionais que se preparava para conquistas além mar, Elio Antonio de Nebrija, professor da Universidade de Salamanca, redigiu a primeira gramática européia em língua vulgar em 1492 – a Grammatica castellana - e a dedicou a Isabel de Castilla, a Católica. Como esta não entendeu sua utilidade, Nebrija esclareceu: “Majestade, a língua é o instrumento do Império”, se referindo ao idioma como sinal de identidade que facilitaria a unificação política da Espanha e de suas futuras conquistas naquele mesmo ano. Três anos depois redigiu o primeiro dicionário espanhol. Os primeiros sinais de que este país está em risco de desaparecer como unidade nacional foi a adoção do catalán como língua oficial da Catalunha e a retirada do Espanhol do currículo oficial. Mais modestamente o mesmo está ocorrendo na Galícia.

O Brasil, assim como Estados Unidos e Canadá, teve a felicidade de adotar uma única língua com gramática unificada, absorvendo a linguagem nativa. Os nomes de Estados Paraná, Dakota, Saskatchewan, são exemplares.

O que se pretende fazer oficialmente em nosso País com a nova “gramática” que elimina a norma culta e a substitui não somente por regionalismos como oficializa erros grosseiros de linguagem com base na eliminação de “preconceitos”? O que é a Gramática senão uma série imensa de pré-conceitos para a fala e a escrita - a regência, a conjugação, a concordância? Entre as funções da palavra talvez a mais importante seja a definição de algum conceito. E o que é a unidade da língua senão o fato de todos os que a falam entenderem este conceito com clareza?

A obra de Rondon e dos primeiros indigenistas, civilizando os índios e ensinando-os o português, tornando-os, portanto, brasileiros, foi da maior importância para a unificação da Pátria. Hoje, como atesta o General Heleno, os índios integrados às FFAA têm uma função importantíssima, pois conhecem a selva amazônica como ninguém.

Não é coincidência que simultaneamente com os ataques às fronteiras físicas por partes de ONGs estrangeiras que se valem do entreguismo de brasileiros ‘defensores do meio ambiente’, o Ministério da Educação una-se ao do Meio Ambiente, ao da Justiça para, numa ação integrada, cumprir a missão de imbecilizar nossas crianças e adolescentes, os futuros professores, através da destruição da nossa língua.

É um plano integrado seguindo as orientações de Gramsci[*]. Estão transformando a Gramática numa ‘gramscimática’, a Novilíngua do esquema de poder – ou pudê -revolucionário. Não é burrice nem inocência: é pura má-fé revolucionária.




 

[*] Abordarei num próximo artigo as noções de Gramsci sobre a linguagem hegemônica. Ver Gramsci e o Estado, Christine Buci-Glucksman, Ed. Paz e Terra, 1980. Para as contribuições da Escola de Frankfurt ao tema: O Marxismo Ocidental, José Guilherme Merquior, Nova Fronteira, 1986.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

RETROAÇÃO: META PETISTA




Aileda de Mattos Oliveira * (18/5/2011)



O povo e os governantes, por formação, são prisioneiros de complexo de inferioridade. Os segundos, oriundos do primeiro, tornam-se perigosos, em vista de enfeixar poderes que lhes foram delegados pelo voto, pondo em risco a nação com tal sentimento de subalternidade.

Esse complexo estreita os horizontes, limitando qualquer esforço em benefício do país. Satisfazem-se esses mandatários com o limbo, não buscando a escalada do progresso individual que leva ao progresso coletivo. Daí o jogo sujo da corrupção, que torna mais fácil o “vencer na vida”, satisfazendo-se em quedarem-se, povo e governo, na cultura da cópia do sobejo dos demais países em lugar de criarem uma cultura própria, uma identidade nacional.

É o único país em que há um desejo dos governantes de piorar; de regredir; de voltar à pré-história da civilização. Não há registro, de algo parecido com o que se passa no Brasil, atualmente.

A língua de uma nação aprimora-se com a educação do povo, com o desenvolvimento da arte literária, com o estudo da filosofia, enfim, de todas as disciplinas humanísticas. Conhece-se a cultura de um povo, pela maneira de ele se expressar. No Brasil, ao contrário, fazem adotar, nas escolas, livro em que os textos são escritos à semelhança do dialeto crioulo, da época colonial. Deve ser saudosismo de afro-descendentes.

O problema reside no desejo de esferas da esquerda, acadêmicas ou não, substituírem o ensino da língua portuguesa nas escolas e nas Faculdades pelo de linguística. Isto vem se intensificando desde os tempos de FHC. A intenção maior é eliminar a gramática, como algo inútil, ultrapassado, no dizer dos modernosos e comprometidos professores, seguidores da receita doutrinária deste partido nefasto que aí está. São duas disciplinas com conceitos próprios e objetivos distintos. É claro que, sem ideologia, uma pode servir à outra.

A língua portuguesa não é uma ciência. É sincrônica, estudada dentro da fase temporal que abrange uma dada população de falantes. Preocupa-se com os fenômenos ocorrentes na sua estrutura, como a sintaxe, a morfologia, a concordância, a regência, etc. A parte relativa à história da língua, há muito foi eliminada do Ensino Médio e, atualmente, um número sugestivo de Faculdades particulares, nem mais faz constar o Curso de Letras na grade curricular. A gramática torna-se o repositório da língua falada e escrita e resguarda a norma prestigiada ou culta ou formal. Portanto, visa ao bem escrever e ao bem falar, isto é, a disciplinar o uso da língua. Isto é crime?

A linguística é uma ciência, limitando-se à línguagem oral, e por ser ciência, dita conceitos universais a todas as línguas naturais, isto é, aos idiomas falados nos seus respectivos países. Por essa razão se chama “linguística geral”. Não há nesta ciência nenhum postulado que afirme estar correto o falar errado. Nem Ferdinand de Saussure, introdutor desta disciplina nos moldes atuais e autor dos apontamentos do livro-base**, fez qualquer referência a esta asneira, tipicamente brasileira. Nem Joaquim Mattoso Câmara Júnior, introdutor da linguística no Brasil, na década de cinquenta, pronunciou tamanha heresia. Fui sua aluna em 1970, portanto falo de cátedra.

Desta disciplina partem ramais subsidiários como a psicolingüística (ensino, aprendizagem, e suas teorias), a sociolingüística (a língua na sociedade), a neurolinguística (relação cérebro-língua, distúrbios da linguagem).

A sociolingüística, por ter como conteúdo programático a atividade da língua nos grupos sociais (diastráticos), e regionais (diatópicos) tornou-se a disciplina preferencial para a introjeção de conceitos doutrinários do professor.

Justamente, por ter como foco de estudos as características da atividade linguística nos estratos sociais, a sociolingüística leva em conta que o falar com desvios gramaticais TORNA-SE CORRETO PARA AQUELES GRUPOS, QUE AINDA NÃO DOMINAM A NORMA PRESTIGIADA do grupo social mais escolarizado. É compreensível, por só conhecerem a norma que lhe é familiar. Contudo, à medida que o falante adquire novos hábitos de linguagem, logicamente, melhorará seu desempenho gramatical. Aquele que domina apenas a norma popular, não saberá se expressar na norma formal, mas o oposto é verdadeiro: quem dominar a formal estará apto a reproduzir qualquer outra modalidade de língua.

Torna-se fácil simplificar teorias, a fim de se introduzir o vírus da ideologia espúria num campo fértil da educação, quando professores, de qualquer titulação, saem repetindo o que melhor ditar a sua filiação partidária sem se preocupar com a verdade teórica. Em colaboração com esse mafuá conceitual, serve, com fervor, a pedagogia.

Atualmente, poucos são os professores de língua portuguesa, substituídos que estão pelos de linguística, disciplina “mais fácil” e que dispensa as explicações dos fenômenos lingüísticos (de sua origem aos nossos dias), imprescindíveis no ensino da língua materna. Por razão das exigências que o ensino de língua requer, os alunos dos ainda resistentes Cursos de Letras abandonam a formação de professor de Língua Portuguesa, para irem em busca das “facilidades” da linguística ou da pedagogia, esta na área de Educação. Com tais profissionais, alunos do Curso de Letras, que ainda permanecerem fiéis à Língua Portuguesa, sairão das Faculdades sem nada saber sobre os fatos da língua que pretendem lecionar às futuras vítimas da paranoia governamental.

Diferentemente, Mattoso Câmara utilizou-se da lingüística para elucidar fatos da língua portuguesa, considerados mal-explicados ou incoerentes, da mesma forma, alguns professores menos radicais fizeram. Neste caso, a linguística passa à “aplicada” e não “geral”.

A autora do que chamam de livro, distribuído pelo MEC, deseja, de uma tacada, transformar a língua portuguesa em dialeto, aliás, como designam os linguistas as variantes regionais. Um absurdo querer impingir dialetos ao Brasil. É desejo em demasia de empurrar o gigante pelo desfiladeiro abaixo.

Haja, sim, complexo de inferioridade bastante para quebrar a cerviz desta gente que de tanto retroceder, chegará, em breve, ao sêmen, que infelizmente a gerou.

*Prof.ª Dr.ª em Língua Portuguesa

** O livro de Saussure, Linguística geral, post-mortem, foi escrito por outros linguistas, seus discípulos, de acordo com os apontamentos de aulas.