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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

GUERRA CIVIL RIMA COM BRASIL

ESCREVI ESSE ARTIGO HÁ MAIS DE DOIS ANOS E TIRANDO UMA COISINHA OU OUTRA NÃO RETIRO UMA VÍRGULA. NO BRASIL AS COISAS SÓ MUDAM PARA PIOR...








“Porque, agora,



vemos como em espelho,



obscuramente; então,



veremos face a face.”


1 Co., 13:12


Waldo Luís Viana*



Quando era criança, adorava um joguinho com lápis e papel, em que aparecia uma série de pontos num quadrado para interligar. Unindo ponto a outro, ao final surgia o gorila. E como era feio o bicho. E eu sorria...

O tempo passou, fiquei adulto, mas permaneceram os olhos e as lembranças do menino. Todavia, não sorrio mais. O que estou vendo hoje, interligando os pontos, é muito perigoso.
Resta apenas desmoralizar as Forças Armadas e o Supremo Tribunal Federal como instituições. Como na Jerusalém do passado, não sobrará pedra sobre pedra, como um dia lamentou Jesus. Advirá o momento em que o diálogo entre o governante e o povo será direto, sem intermediários. Teremos então a flor do Lácio do totalitarismo...

O gorila estará visível e nu, como todo poder anticrístico. As instâncias intermediárias, as forças que auxiliam a sociedade civil a se proteger de nada mais valerão, a não ser para legitimar o estupro da nação. E nem será necessário colocar a oposição na cadeia, como queria Bakunin, porque neste país se opor é ato que beira o mau gosto. Oposição é crime de lesa-majestade!
Nenhuma resistência acontecerá, porque todos se tornaram malandros e não vão colocar a cabeça de fora para ser decepada. E o país rumará ao patíbulo, sem a defesa de seus filhos.
Primeiro, tiveram que desmoralizar a classe política que está misturada ao pior esterco da corrupção; em seguida, a atmosfera de insegurança nas cidades e nos campos se generalizou, com assassinatos e o patrocínio do crime organizado ao delírio geral das drogas; mais adiante, a destruição da educação, da saúde e dos valores morais, como causas antiquadas e “cívicas” a serem minimizadas cotidianamente pela mídia. Vemos até o presidente da República atirando camisinhas ao populacho, nem se importando em discutir uma correta política de controle da natalidade.
Aliás, reproduzindo-se feito moscas, os pobres e miseráveis serão o caldo de cultura para a futura sociedade planificada na vontade de um homem só e seus asseclas. Se isso não for fascismo, não sei como se chama...

Estamos, finalmente, vivendo um filme de terror, em que os brasileiros são os mortos-vivos. Os movimentos sociais e sindicais permitidos vão fazendo o jogo de cena, próprio das ditaduras, fingindo opinião que não mais detêm, emudecidos por verbas oficiais. Estão calados e bem pagos, como estátuas de sal (ou pré-sal)...

Estou emitindo essas considerações, mas não sei até quando poderei fazê-las. A sensação de inutilidade, de malhar em ferro frio, é onipresente, porque é próprio das ditaduras desmoralizar qualquer oposição, colocando o crítico eventual numa situação de paralisia psiquiátrica. Passou-se o tempo em que nos chamavam de “reacionários de direita”. Agora, somos loucos mesmo, os que ousam remar contra a pretensa maré da maioria...

Alguns de meus censores, candidamente, me perguntam: por que você critica tanto o presidente? E eu respondo; tenho 53 anos e nasci durante o governo Café Filho, sujeito honestíssimo e de caráter ilibado. Aos catorze anos, na casa de meu pai, em plena ditadura, pude conversar por cinco minutos com um estadista, o ex-presidente Juscelino Kubitschek, e o SNI fotografava todos os que entravam no edifício. Testemunhei o transcurso do regime militar, os governos Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique e o atual.

Cumprindo o princípio da história brasileira contemporânea, de que o futuro é sempre pior que o passado, jamais vi em minha vida um presidente tão descomposto e hilariante na capacidade de dizer asneiras e batatadas. Pensava que o mais folclórico, nesse sentido, teria sido o general Figueiredo, mas o atual, sem qualquer dúvida, bateu todos os recordes. Ele é o anticristo da estrela de cinco pontas que ainda vai nos trazer enormes tristezas e constrangimentos. E me recuso a crer que o brasileiro se identifique tanto assim com ele por ausência de espírito crítico, cultura e sabedoria.
Não me recordo de ter sentido tanto medo e insegurança como hoje em dia. Mudei do Rio de Janeiro, onde ouvia toda noite, em certo bairro nobre, o som das metralhadoras, como se estivesse ao lado de minha cama. Cansado de tantas balas perdidas por perto, resolvi morar em cidade pequena e felizmente ainda não conquistada pela bandidagem.


A despeito de tudo, não me calei. Quando ouço falar que o MST está matando gente em Pernambuco e que protesta contra o fechamento de suas “madrassas”, escolas de alfabetização terrorista e fundamentalista no Rio Grande do Sul, fico boquiaberto.


Sou do tempo em que os estudantes da UNE protestavam contra o regime. Hoje, saem ridiculamente à rua para reivindicar meia-passagem nos ônibus e nos cinemas. Os estudantes “profissionais”, empanturrados de verbas públicas, calaram definitivamente a boca e parece que, em contrapartida, a juventude só se interessa mesmo por baladas regadas a maconha, crack, cocaína, LSD e ecstasy, para esquecer a realidade mórbida em que vivemos. E os combativos acadêmicos trotskistas de ontem são apenas os universitários conformistas de hoje, que passam trotes violentos...

Sou do tempo em que havia preocupação com a proletarização das Forças Armadas. Hoje, além de desequipadas e sem opinião, vão ter que curtir os expurgos futuros causados pela ampliação da lei da anistia e da abertura de arquivos acusatórios sobre alguns oficiais de pijama, ainda vivos. É claro que sob o nobre pretexto de não repetir a tortura, sempre hedionda, o governo procura criar um clima de exagero ao comparar o que ocorreu na ditadura militar com o holocausto nazista. A solução é utilizar o erário para recompensar e enriquecer ex-guerrilheiros e alguns falsos terroristas queridinhos do governo vigente.
No entanto, a protoditadura que aí está, não satisfeita, quer ainda armar o circo da divisão social. Como Mussolini, dividir a sociedade em compartimentos estanques para melhor governar e poder sobressair.
Nesse contexto, temos o pobre, como entidade genérica eternamente defendida pelo salvador de plantão, colocado em litígio contra as classes dominantes, que nunca estiveram tão bem protegidas e prestigiadas, como neste governo. Negros insurgem-se contra brancos, homossexuais contra heteros, índios e quilombolas contra agricultores, mulheres contra homens, deficientes físicos contra não deficientes – enfim, onde possam se constituir subdivisões sociais e cotas politicamente corretas, eis aí o solo fértil para a manutenção e continuidade do poder protofascista. Com a palavra, o Duce de Garanhuns: nunca neste país...
Mãos crispadas nos palanques, faces avermelhadas pelo porre da noite anterior, vai o governante cantando loas às próprias realizações, abrindo veredas para a sucessora predileta, um balão de ensaio caprichoso e sem carisma, fruto de teimosia que nenhum de seus acólitos ousa contestar, a não ser através de uma anticandidatura lançada como eram os antigos cristãos às feras famintas...
Nunca neste país o ovo da serpente esteve tão prestes a rebentar. A nação é um paiol de pólvora e não me admirarei se focos de inconformidade, diretamente proporcionais ao terrorismo de alguns movimentos sociais, começarem a surgir. Afinal, guerra civil rima com Brasil e essa licença não pode deixar de ser acolhida com imensa preocupação pelo poeta.
Podem dizer de mim o que quiserem, porque me acostumei a unir os pontos de um desenho de início incompreensível e aparentemente inextricável. E o gorila que aparece hoje, tal como o diabo, é grande ator na tarefa de iludir e fingir que não existe.
Como disse o apóstolo Paulo, sentir como adulto faz com que esqueçamos a imagem de criança, posta no espelho e vislumbremos a verdade, face a face. Mas ao invés de Deus, o que aparece no Brasil é o gorila...


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* Waldo Luís Viana é escritor, economista, poeta e morre de medo de gorilas...



Teresópolis, 28 de fevereiro de 2009.



Cessão de Territórios



Adriano Benayon* – 05.06.2008

Em artigos freqüentes, o Sr. Jarbas Passarinho insiste em defender a destinação de quase 100 mil km. quadrados do território nacional para a reserva ianomâmi, por meio da portaria nº 580, de 15.11.1991.

Na Internet ele qualificou os críticos de "despeitados que se supõem patriotas e não passam de néscios" e reclamou do tempo gasto em dar lições a "ignorantes de Direito". Disse ter cumprido "decisão judicial irrecorrível": "Só recorre quem é parte. O ministro da Justiça não era parte. Caberia recorrer ao Sarney, pois foi o ato dele que foi revogado [sic]. Não recorreu, e a mim só caberia cumprir a sentença."

Crasso desconhecimento jurídico! É incrível confundir atos de governo com atos da alçada particular de pessoas que exercem mandatos. Esse é o resultado de pretender lecionar Direito sem nunca ter sido aluno.

Na ação cuja sentença, de 24.09.1990, invalidava ato de 1989 do presidente Sarney, a Parte não era Sarney, pessoa física, mas sim, a União Federal. Estava Collor no governo, ao qual cabia defender os interesses da União.

O recurso era obrigatório. Se não foi impetrado, isso decorreu da intenção de atender a pressões de potências hegemônicas. Passarinho assumiu o ministério em 13.10.1990. Se fosse contra a demarcação em linha contínua recomendaria à AGU recurso contra a sentença. Se o prazo tivesse expirado, poderia: 1) não aceitar o ministério; 2) solicitar que a União Federal promovesse ação rescisória, dado o prejuízo irreparável; 3) baixar portaria semelhante à emitida pelo governo Sarney, o que obrigaria os interessados na reserva gigante a iniciar nova ação.

Em artigo de março de 2001, no Estado de São Paulo, "O ministro e a terra yanomami", a firmou o ex-ministro: "...procuradores da República [...] entraram com medida cautelar, em outubro de 1989, perante o juiz da 7ª Vara Federal. Pediam a interdição dos 9 milhões de hectares, estabelecidos no governo João Figueiredo, e reduzidos a 2,5 milhões pelo seu insigne e honrado sucessor. [...] O magistrado concedeu liminar determinando a interdição da área e a imediata retirada dos garimpeiros. A FUNAI pediu o cumprimento da decisão judicial.[...]. Interditei a área. Um mês depois, os mesmos procuradores entraram com ação para que a área fosse declarada - como o foi pelo mesmo juiz - posse ianomâmi."

"Verificando a inexistência de regras legais para demarcar terras indígenas, obtive do presidente Collor a edição do Decreto nº 22, de 4 de fevereiro de 1991. A FUNAI constituiu grupo técnico encarregado de dar parecer. Fê-lo em 22 de julho de 1991, opinando pela demarcação da área de 9 milhões de hectares em linha contínua."

A FUNAI está, de há muito, infiltrada, a ponto de seus funcionários, já nos anos 70, viajarem grátis em aviões do Sumner Institute of Linguistics, entidade que traduzia a Bíblia para inúmeras línguas indígenas. O chefe da FUNAI, escolhido por Passarinho, era Sidney Possuelo, extremista na cessão de terras a tribos indígenas. Foi exonerado, de cargo de Coordenador, após ter criticado o presidente da FUNAI, Mércio Gomes. Este declarara, em 12.01.2006: "É terra demais. Até agora, não há limites para suas reivindicações fundiárias, mas estamos chegando a um ponto em que o Supremo Tribunal Federal terá de definir um limite".

Possuelo disse ao Estadão, em 14.01.2006: "Já ouvi esse discurso de fazendeiro, grileiro, garimpeiro, madereiro. Mas de presidente da FUNAI é a primeira vez. É de assustar. Se a nossa autoridade maior diz que tem muita terra para o índio, ela está afirmando que a sociedade nacional e os destruidores têm razão". Com efeito, Possuelo parece preferir a sociedade 'internacional' à nacional. Entre os títulos desse sertanista elogiado pela mídia, está a Medalha de Benfeitor, da Royal Geographical Society, em 2004, aprovada pela Rainha da Inglaterra.

Coube, em 1991, a Possuelo interpretar o art. 231 da Constituição. Nesse dispositivo está escrito "terras que tradicionalmente ocupam", ou seja, ocupavam na data da promulgação da Constituição e tradicionalmente. Requisito não preenchido pelos "ianomâmis", já que os índios postos na área: 1) vieram de outros lugares; 2) são nômades e, portanto, insuscetíveis de ocupar terras tradicionalmente. Ademais, a suposta etnia "ianomâmi" não é mencionada em levantamentos até o final dos anos 70.

Aduz Passarinho: "Os ministros militares decidiram atribuir ao ministro-chefe do Gabinete Militar o parecer solicitado. O Itamaraty [...] foi favorável." Inacreditável. O então ministro de Justiça louvou-se em parecer, sobre assunto de segurança nacional, do Ministro das Relações Exteriores, o jurista Francisco Rezek. Passarinho, oficial com curso de Estado-Maior, parece estranhamente depender de advogados nessa matéria, pois atribui também ao consultor jurídico e ao secretário-executivo do MJ o aviso de não haver ameaça à soberania e à segurança nacionais. O s governadores de Roraima e do Amazonas deram parecer contrário, não levado em conta.

"A [Secretaria] de Assuntos Estratégicos ponderou quanto ao perigo de afetar a soberania nacional." Nem essa advertência fez o ex-ministro de ter um parecer da área militar, que acabou não opinando. Segundo ele, o Gabinete Militar, 'em nome do EMFA e dos Ministérios da Marinha, do Exército e da Aeronáutica', sugeriu a remessa do processo ao Conselho de Defesa. Mas o governo Collor jamais o reuniu para tratar da grave questão. Pior: ela não foi devolvida aos ministérios militares.

"Estando a terra ianomâmi na faixa de fronteira, garantida ficava duplamente a propriedade da União." Isso é verdade apenas de direito, e há risco iminente de que deixe de sê-lo. Para tanto, basta que as potências mandem os índios proclamar-se cidadãos de países independentes, pois já os controlam por meio de ONGs, entidades religiosas, por verbas, cursos no exterior etc.

"Cabia-lhe [à União] exercer soberania sobre os índios e garantir a integridade territorial com as Forças Armadas. Ouvir previamente o Conselho de Defesa, como propôs o Gabinete Militar, revelava-se indevido, diante da sua atribuição definida no artigo 91, @ 1º e inciso III, da Constituição federal: 'Propor os critérios e condições de utilização de áreas indispensáveis à segurança do território nacional e opinar sobre seu efetivo uso.' Não se tratava de uso ou utilização da terra, mas de sua demarcação."

Especiosidade semântica, para não ouvir o foro adequado. Está claro que a demarcação altera o marco legal da área segregada. Se "não-índios", inclusive autoridades, não entram nas terras, quem controlaria os usos mineralógicos e outros, por parte de ONGs e entidades estrangeiras?

Confirma as pretensões estrangeiras Resolução da Organização Internacional do Trabalho, de 2004, aprovada no Senado, bem como a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas da Assembléia-Geral da ONU (2007). Estatuem que os indígenas têm direito a dispor de suas terras, e a perda de territórios brasileiros estará consumada, pelo menos enquanto perdure a atual ordem jurídica, se o Congresso aprovar a Declaração, o que a incorporaria à Constituição, conforme a Emenda nº 45/2004.

"Impunha-se analisar o direito à posse segundo o artigo 231 da Constituição: 'Terras tradicional e permanentemente ocupadas.' Geneticistas, lingüistas e antropólogos atestam a existência milenar [sic] e permanente dos ianomâmis na área, embora as primeiras referências historiográficas datem do século 18."

Não há tais referências em relatórios e trabalhos sérios. Só no final dos anos 70 do Século XX, importaram indígenas díspares para a área e passaram a chamá-los de ianomâmis. Os antropólogos consultados teriam de estar ideologicamente comprometidos com o lema "toda terra aos índios" (óbvios instrumentos de outrem).

O assunto foi esgotado no livro "A Farsa Ianomâmi" do Cel. Menna Barreto, que serviu longos anos como militar na Região e foi Secretário de Segurança de Roraima. O Almte. Gama e Silva assinalou os relatórios da Comissão Demarcadora de Fronteiras, arquivados no Itamaraty, produto de decênios de trabalho na região, onde não há qualquer registro de "ianomâmis". Tampouco o há no Mapa Etno-Histórico de Curt Unkel (Nimuendajú) (IBGE/Fundação Pró-Memória), edição de 1981, exaustivo estudo científico das tribos, etnias, migrações e populações indígenas no Brasil. Nem com "I", nem com "Y". Esse etnólogo alemão pesquisou no campo por 40 anos (1905 a 1945), comprovando a existência de mais de 1.400 tribos no Brasil, com ênfase na Amazônia e países fronteiriços a Oeste e a Norte.

"Restava traçar a área compatível com 'a atividade produtiva, a reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições'. Antropólogos conceituados, autores de livros e que estudaram anos a fio os ianomâmis in loco, defenderam a demarcação contínua. Isolar as aldeias seria tornar inviável a sua interação. A separação, por 'ilhas', impediria as 'relações intertribais'".

1) Como é possível populações nômades se assentarem em aldeias? 2) Que interação, se as tribos trazidas para a região por ONGs, CIR etc., com auxílio da FUNAI, são mantidas isoladas, pois do contrário, se trucidam? Essas incongruências são apontadas por gente responsável, com serviços prestados na região, como o Cel. Gélio Fregapani.

"Depois de 13 meses de estudos, aprovei a tese da linha contínua. Ressalvei em despacho a imperativa necessidade de ser ouvido o Conselho de Defesa, quando da utilização posterior da terra. [AB. O Conselho não foi ouvido quando era imperativo que o fosse.] E na Portaria 580 está assegurada a ação e atuação das autoridades federais na área, um bem da União." [AB. Tema já comentado].

"Ameaça à Amazônia, se vier a existir, não é de uma nação ianomâmi, mas do pretexto de devastação da floresta." A ameaça de criação de um estado "ianomâmi" parece cada vez mais próxima de se transformar em ato, aumentada por haver outra reserva com esse nome na Venezuela. As potências hegemônicas intensificam suas ações na área e as manobras militares na Guiana, virtual protetorado britânico, no Suriname e na Guiana Francesa.

Entre muitos depoimentos, vale destacar a entrevista do sertanista Orlando Villas Boas, reapresentada em 15 de junho de 2003, no programa 'Expedições' da TV Cultura: "Os americanos levaram para os EUA 15 chefes ianomâmis, brasileiros e venezuelanos, para lá aprenderem o inglês e serem treinados 'politicamente', para que, ao retornarem, criem um contencioso internacional com o objetivo de fazer com que a 'comunidade internacional' declare a criação de um Estado 'Índio', tutelado pelos EUA, cujo território seria delimitado pelas áreas das atuais reservas ianomâmis no Brasil e na Venezuela. Vocês pensam que eles fazem isso por amor aos ianomâmis? Não. Fazem isso porque em Roraima estão as maiores reservas de urânio do mundo."

"O presidente Collor [...] em nenhum momento fez sequer sugestão a respeito da demarcação. Homologou a Portaria 580, em 15/11/1991, em reunião setorial do Ministério, presentes todos os ministros militares, sem discrepância expressada. Ainda assim, há quem o acuse de ter cumprido ordens do então presidente americano George Bush..."

Quem duvida do viés do exterior? Não houve as pressões e as declarações de mandatários de potências hegemônicas e de figuras de projeção por elas criadas? Não houve a carta a Collor de seis senadores dos EUA, inclusive Rockefeller e Kennedy? Collor e Passarinho falaram do temor de que o Brasil continuasse a ser denegrido no exterior por negar "direitos" dos indígenas. Por que colocam acima do interesse do Brasil a "imagem", algo que nada custa ao Império produzir para obter o que deseja? Não acredito em teoria da conspiração: só na conspiração mesma. Quem não identifica seus inimigos está condenado a ser escravizado por eles.

* - Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de "Globalização versus Desenvolvimento",editora Escrituras. benayon@terra.com.br.



ENTREGA DO BRASIL





Prof. Marcos Coimbra - Membro do Conselho Diretor do CEBRES, Titular da Academia Brasileira de Defesa e da Academia Nacional de Economia e Autor do livro Brasil Soberano.



Nunca é demais recordar os Objetivos Nacionais Brasileiros (ONB): Progresso, Democracia, Paz Social, Soberania, Integração Nacional e Integridade do Patrimônio Nacional. Os ONB representam metas de longo prazo, que devem ser alcançadas ao longo de gerações, objetivando a consecução do Bem Comum. Isto porque na História do Brasil nunca ocorreu, como na escala atual, tamanho descalabro, ausência de amor à Pátria, chegando ao limite do crime de traição, cinismo, falta de preparo dos supremos mandatários do país, autênticos representantes do emprego da máxima “pão e circo” para iludir a massa de eleitores ingênuos e ignorantes daquilo que ocorre em Pindorama.



Ora, a corrupção sempre houve e haverá, em todos os países do mundo. Porém, o que está havendo no nosso Brasil, atualmente em caráter de pandemia, é inimaginável, chegando ao ponto de contagiar outros países, através da atuação de grandes empreiteiras financiadas com recursos públicos, realizando obras faraônicas naqueles territórios, com intermediação de lideranças políticas brasileiras expressivas. Não existem recursos suficientes para investimento na infra-estrutura econômico-social brasileira, segundo nossas “autoridades”. Porém, eles existem em abundância para aplicação de bilhões de reais a dezenas de países, em especial vizinhos e companheiros de ideologia.



Outra das tragédias nacionais identificadas refere-se aos vergonhosos episódios da denominada demarcação de “terras indígenas”, das quais as mais escandalosas são a Ianomâmi e a Raposa/Serra do Sol. O que está por detrás destas demarcações? Como já explicado neste espaço em vários artigos, a fatal armadilha, capaz de permitir a perda da nossa Amazônia, foi aberto com a inclusão feita em 2004, pela Emenda Constitucional nº 45, que em seu artigo 5º, parágrafo 3º, determina que “os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais”.



Já tinha havido o precedente, ocorrido com a aprovação pelo Congresso de um ato da OIT (Organização Internacional do Trabalho), denominado “Convenção Relativa aos Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes”, cujo texto extrapola as relações de trabalho e entra nos assuntos “terras” e “recursos minerais”, criando as condições para subtrair do território brasileiro mais de metade de sua área, através de demarcação de “terras indígenas”. Para agravar, em 13 de setembro de 2007, a Declaração Universal dos Direitos dos Indígenas foi aprovada pela ONU, com o voto favorável da representação brasileira. A partir daí, a demarcação de terras indígenas assume o estágio de reservas indígenas (Ianomâmi e Raposa /Serra do Sol), representando a última posição para transformação em nações indígenas.



A demarcação, por pressão externa, da vastíssima "Reserva Ianomâmi", destinada a uma suposta preservação da referida tribo, foi feita pelo ex-presidente e hoje senador Collor, através de portaria assinada pelo Cel. Jarbas Passarinho. Tal reserva, além de chamar à atenção pela enorme área em relação à pequena população indígena lá existente, ainda tem uma parte que se encontra situada na faixa de fronteira de 150 km, o que desrespeita o parágrafo 2º, inciso XI, do Art. 20 da nossa Constituição. E é contígua a uma área semelhante demarcada na Venezuela. O estudo “A Questão Minerária na Amazônia: a Coincidência das Áreas Indígenas”, do vice-governador de Roraima, Salomão Cruz, e do economista Haroldo Amoras, aponta a relação entre as áreas demarcadas pela Funai com os minérios.



Os autores citam como exemplo o ocorrido na Gleba Noroeste na área Ianomâmi; “É visível o caminho percorrido buscando a sinuosidade apresentada pelos veios minerais, sendo notória a área pretendida Raposa/Serra do Sol e as curvas sofridas pela ampliação da área Ianomâmi - Gleba Noroeste (37). Parte desta gleba estava fora da área pretendida pela Funai e após a descoberta de fosfato pela CPRM, a reserva foi ampliada, excluindo 27 propriedades rurais, a maioria detentoras de título definitivo ou posse”. A reserva Ianomâmi é uma das mais ricas reservas minerais do planeta. É nela que se encontram as maiores jazidas conhecidas de nióbio do mundo, metal considerado de alto valor estratégico.



A jornalista Rebecca Santoro ainda esclarece sobre a farsa dessa tribo Ianomâmi que nunca existiu, defendida pelas ONGs estrangeiras que infestam a nossa Amazônia, abençoada pelos "verdes", que endossam esse crime que está sendo praticado contra o nosso país. Esta tese é corroborada pelo Almirante Gama e Silva, que, em 21 de abril de 2008, publicou o artigo ‘Ianomâmi! Quem?’, no qual falava sobre o livro “A FARSA IANOMÂMI”, escrito pelo Coronel Carlos Alberto Lima Menna Barreto, homem que conheceu Roraima muito bem, pois, comandou o 2º Batalhão Especial de Fronteira naquele Estado, de 1969 a 1971, e, 14 anos depois, veio a ser seu Secretário de Segurança, o qual prova que os “Ianomâmis” haviam sido criados por estrangeiros (jornalista/fotógrafa suíça, Claúdia Andujar, a qual menciona, pela primeira vez, em 1973, a existência do grupo indígena por ela denominado “Ianomâmi”).







No caso da reserva Raposa/ Serra do Sol são 1.743.089 hectares para abrigar um punhado de índios, grande parte dos quais fala idioma estrangeiro, também, por “coincidência”, área rica em minerais raros e valiosos. O fato é que maus brasileiros, verdadeiros traidores da Pátria, estão entregando nosso Patrimônio a potências estrangeiras, sem que haja reação das autoridades constituídas brasileiras.



Correio eletrônico: mcoimbra@antares.com.br



Página: www.brasilsoberano.com.br (Artigo de 19.10.11- MM)