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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Bandido existe em todo lugar‏

Otávio Varêda*



Os últimos fatos ocorridos na cidade do Rio de Janeiro, que culminaram com a prisão do traficante conhecido por "NEM", nos deixaram bastantes orgulhos, sensação similar, tenho certeza que teve a grande maioria dos policiais de nossa querida Pátria, formada por homens e mulheres de bem, heróis brasileiros que labutam cotidianamente no anonimato, percebendo, muitas vezes, salários pífios. Sabemos, no entanto, que no seio das corporações policiais, existem aqueles que não honram suas fardas e seus distintivos, e que devem responder com os rigores da lei. Mas será que é só na polícia que existem bandidos? A nação assiste todos os dias, nas mais diversas mídias, o quanto a corrupção está impregnada em suas instituições. Basta ver o que acontece nos corredores do Congresso Nacional, local onde existe a maior concentração de corruptos por metro quadro neste país. Basta ver o que vem ocorrendo na Presidência da República, onde a Senhora Presidenta teve que afastar alguns de seus "colaboradores", que exerciam cargos de Ministros, pela prática de um rol de atitudes que nos deixam enojados, isso sem falar no fanfarrão do LUPI. E os que são flagrados em desvios de conduta no Poder Judiciário e no Ministério Público? Basta ouvir os relatos da Corregedora do CNJ, Ministra Eliana Calmon. Não podemos esquecer os atos indignos praticados por membros das mais diversas Igrejas, seja ela a Católica, sejam as Evangélicas. Será que não existem bandidos no seio dos empresários, dos comerciantes, dos profissionais da saúde, dos auditores fiscais, e em outras classes? E na política de Caruaru, diante dos últimos acontecimentos, será que só existem anjos e santos nos seus mais diversos escalões, merecendo até a visita de Bento XVI para uma cerimônia de canonização coletiva? E na imprensa, principalmente na grande mídia, será que todos são de fato puritanos como se apresentam nas telas de TV em nossas casas? E na briga da GLOBO com a RECORD, será que só uma delas é a fonte de tudo quanto é puro?







Meus amigos vivemos no país onde a corrupção vem da colônia. Infelizmente, está presente em todos os buracos e recantos. A coisa é muito grave, é endêmica. Basta ver quem dita às regras no Brasil: JOSÉ SARNEY, COLLOR DE MELO, JOSÉ DIRCEU, RENAN CALHEIROS, ANTÔNIO PALLOCI, DELÚBIO SOARES, entre outros, todos da mesma laia do "NEM", criminosos como ele. A única diferença são os ternos e gravatas. E o que dizer do Senhor SÉRGIO CABRAL? Aquele mesmo que foi ao ridículo ao servir de Babá da filha da Madona, por ocasião de sua última estada na Cidade Maravilhosa, durante período de momo. O que dizer desse Governador Midiático que paga os piores salários a seus policiais, e paralelamente, esnoba se deliciando nas suas mansões, edificadas em Condomínios situados em Mangaratiba e em outras regiões nobres daquele estado? Por que tanta ganância de SÉRGIO CABRAL pelos royalties do pré-sal? Será que o mesmo já conta com as benesses do superfaturamento das grandes obras que serão realizadas para a exploração do ouro negro?







Mas, diante de tão grande abismo, acredito que nem tudo está perdido, até porque não estamos aqui para dizer que a coisa seja generalizada, e jamais acreditaremos nessa tese. Em todas as instituições existe a banda podre e a banda boa. Precisamos parar de achar que todo Juiz é ladrão, todo padre é pedófilo, todo pastor é tarado e todo policial é bandido. Exemplos de boas práticas são dados todos os dias, pelos mais diversos profissionais, dos variados segmentos. Pena que isso nunca é visto, principalmente pela grande mídia, hipócrita, que aposta no quanto pior melhor. Tai o exemplo de como se deu a prisão do "NEM". Parabéns aos meus companheiros de farda da PM do Rio. Compartilho e me emocionei com o desabafo de vocês.







Exorto aos homens e mulheres de bem de nossa amada pátria a continuarem lutando e acreditando na mudança deste chão verde e amarelo, para que ele crie vergonha, e que seu povo tome consciência do poder que detém nas mãos.







*OTÁVIO VARÊDA, cidadão brasileiro, residente na cidade de Caruaru-PE, e mais do que nunca orgulhoso de ser um policial pernambucano.







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Por Olavo de Carvalho



- 29 Nov 2011*






Ainda a propósito da chamada "imprensa nanica" dos tempos da ditadura, duas notas:






1) Tão logo publicados os meus artigos sobre o assunto, a leitora Míriam Macedo teve a gentileza de me enviar uma cópia da tese "Preparados, leais e disciplinados: os jornalistas comunistas e a adaptação do modelo de jornalismo americano ao Brasil" (2007), dos pesquisadores Afonso de Albuquerque e Marco Antonio Roxo da Silva, ambos da Universidade Federal Fluminense (v. http://www.compos. org.br/files/ 22ecompos09_Albuquerque_ Silva.pdf).





A tese confirma integralmente o que eu disse: nunca houve uma fronteira nítida, muito menos um abismo de diferença entre a "grande mídia" e a "imprensa alternativa" no período militar.






A esquerda tinha poder de mando numa como na outra.






Numa revisão de praticamente toda a bibliografia publicada a respeito, os autores concluem: "Os comunistas tiveram uma presença significativa nos jornais desse período, tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo (cargos de chefia)." E não se tratava apenas de infiltrados individuais: o PCB atuava ali organizadamente, como centro de comando subterrâneo embutido na hierarquia formal das redações.






A mídia alternativa nunca foi um refúgio de excluídos e marginalizados: foi um pseudópodo lançado pela esquerda dominante desde a chefia dos grandes jornais, um instrumento auxiliar na longa luta dos comunistas brasileiros pelo domínio monopolístico dos canais de informação, luta que hoje vai alcançando o seu ponto culminante como projeto fatídico do "Marco Regulatório das Comunicações", que virtualmente submeterá ao governo petista o controle das informações circulantes no País.






A História, para os comunistas, nunca foi apenas um estudo erudito, mas um instrumento de ação política. A auto-idealização sentimental do velho jornalismo de esquerda não é, portanto, uma simples falsificação do passado: é a preparação do futuro império da falsidade.






2) Não imaginem que, ao escrever meus dois artigos a respeito, eu tenha examinado as narrativas dos porta-vozes da velha "mídia alternativa" com malevolência de crítico azedo. Faltava-me qualquer motivo para isso, no mínimo porque fui eu mesmo um personagem daquela história, tendo colaborado com vários órgãos da imprensa então dita "nanica" e participado até mesmo do lance mais decisivo da série, cantado em prosa e verso nos longos depoimentos de Audálio Dantas, José Hamilton Ribeiro e Fernando Pacheco Jordão ao documentário do Instituto Vladimir Herzog.






Refiro-me à edição do célebre número 4 do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, que denunciou pioneiramente o assassinato de Herzog e acabou por desencadear uma onda nacional de protestos contra o regime.






A juventude dessas criaturas foi a minha. A diferença entre nós é que, ao chegar à maturidade, reexaminei minha vida com senso crítico em vez de me deixar estagnar na deleitação caquética de um mito corporativo, para não dizer de uma mentira deliberada, consciente, maquiavélica.






Uma coisa que compreendi, e que essa gente não parece ter compreendido até hoje, é que nenhum ódio que tivéssemos ao regime autoritário brasileiro, por mais legítimo que fosse, poderia jamais justificar a cumplicidade da nossa geração de jornalistas com as ditaduras genocidas da URSS, da China, da Hungria, da Alemanha Oriental, do Vietnã, do Camboja, da Coreia ou de Cuba. E não se trata apenas de comparar, em abstrato, ditaduras com ditaduras. Vários desses governos davam orientação, ajuda e treinamento aos terroristas brasileiros, tornando-se portanto personagens






ativos do drama nacional.






Qualquer tentativa de isolar uma coisa da outra, de modo a fazer os comunistas brasileiros parecerem puras vítimas da violência alheia, sem culpa pelo que seus mandantes e parceiros faziam no mundo, falsifica por completo a realidade do quadro histórico.






Quando lembro o tempo que despendi na sede do Sindicato, preparando aquela e outras edições do Unidade, nas ruas gritando slogans comunistas ou em casa escondendo fugitivos do regime, não me vejo como um herói, à maneira dos comovidos apologistas de si mesmos, nem como miniatura de herói, mas como um idiota útil, privado do senso das proporções, incapaz de medir a gravidade relativa dos males e entender que a ditadura brasileira, por execrável que fosse em si mesma, era um preço módico a pagar pela eliminação da ameaça comunista, cuja existência negávamos com cinismo exemplar ao mesmo tempo que nós mesmos a representávamos pessoalmente e tudo fazíamos para que ela se realizasse.






"Éramos jovens", pode-se alegar. É, éramos mesmo, mas não somos mais. Não temos o direito de falsificar toda a memória histórica de um país só para continuar dando a impressão de que éramos lindos.






O simples fato de que essa operação-camuflagem assuma hoje o nome de "Comissão da Verdade" já mostra que o fingimento se tornou, entre os esquerdistas brasileiros, um estilo de vida.






P. S. – Do ponto de vista da emocionada autolatria comunista, a expressão acima, "preço módico", soará cruel e escandalosa. Discutirei isso em artigo vindouro, mas desde já advirto: na política e na ciência que a estuda, a comparação da gravidade relativa dos males, da qual a esquerda nacional hoje foge como o diabo da cruz, é uma exigência incontornável e a base de quase todos os diagnósticos e decisões. Qualquer tentativa de evitá-la é pura hipocrisia e culto da ignorância politicamente conveniente.






* Olavo de Carvalho é ensaísta, jornalista e professor de Filosofia














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PECADOS NADA ORIGINAIS





Prof. Marcos Coimbra



Membro do Conselho Diretor do CEBRES, Titular da Academia Brasileira de Defesa e da Academia Nacional de Economia e Autor do livro Brasil Soberano.



Após uma longa agonia, ocorreu o desfecho tão esperado e aguardado pelos brasileiros honestos, dignos e de bons costumes. Finalmente, caiu o ministro Lupi. Já está na fila o ministro das Cidades, Sr. Mário Negromonte, aguardando no máximo a reforma ministerial de janeiro de 2012 para ser defenestrado. Agora aparece o ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior, Sr. Fernando Pimentel, em um caso bastante semelhante ao do ex-ministro Antonio Palocci. Afinal, em dois anos de consultoria conseguiu abocanhar cerca de R$ 2 milhões, declaradamente, por serviços de “consultoria econômica”, no intervalo entre sua saída da prefeitura de Belo Horizonte e sua posse como ministro, enquanto ainda exercia funções de relevância na campanha da então candidata Dilma.



Dentre seus principais clientes ressaltam a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), com R$ 1milhão, a construtora mineira Convap (R$ 514 mil) e a QA Consulting (R$ 400 mil). O mais interessante é que a Convap, meses depois da consultoria, obteve em consórcio R$ 95,3 milhões em contratos na administração do atual prefeito Márcio Lacerda (PSB), aliado de Pimentel. Já a QA encontra-se em situação esquisita, pois de acordo com a Junta Comercial de Minas Gerais está enquadrada como microempresa, com um faturamento anual máximo de R$ 360 mil, de acordo com a legislação vigente.



Para agravar a situação, a QA Consulting recebeu, dois dias antes do pagamento da primeira parcela a Pimentel, R$ 230 mil da HAP Engenharia para prestar serviços de “infra-estrutura para solução de problemas de rede”, serviço declarado de engenharia civil, porém sem possuir a necessária Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), segundo o CREA-MG. Além disso, em maio de 2011, Pimentel tornou-se réu em ação pública civil, justamente em companhia do dono da empresa, Sr. Roberto Senna. A empresa é acusada de superfaturar obra em R$ 9,1 bilhões para a prefeitura de BH e de desviar recursos para a campanha de Pimentel em 2004, quando ele disputou a reeleição para a prefeitura de BH. Na ocasião, ele contratou a Ação Social Arquidiocesana (ASA), sem licitação, e esta subcontratou a HAP para construção de 1,5 mil casas. O custo da obra passou de R$ 12,7 milhões para R$ 26,7 milhões e, de acordo com o Ministério Público, metade das casas não foi entregue.



Convenhamos que existe uma sucessão de “coincidências” reveladoras de algo errado. No mínimo, tráfico de influência. Também a remuneração de cerca de R$ 100 mil por mês, em média, para nós que militamos na área, tendo exercido por muito tempo funções de consultoria econômica, é um valor inteiramente fora dos padrões normais cobrados por equipes de colegas altamente capacitados e competentes. É evidente que há um “plus” nestes valores.



Enquanto isto, o país continua funcionando como uma nau sem rumo. Ainda não foi elaborado um Plano Nacional de Desenvolvimento, não existe um planejamento prospectivo e as autoridades, em especial as da área econômica, limitam-se a uma atitude reativa e não preventiva, o que ocasiona sérias consequências para o bem estar do nosso povo.



Na esfera internacional, continua a vigorar a “diplomacia companheira”, eficaz em prejudicar os interesses nacionais e beneficiar os correligionários bolivarianos. Depois da tomada por tropas do exército boliviano da refinaria da Petrobras, da revisão do Tratado de Itaipu, em claro desfavor do Brasil e outros tantos, como doações irresponsáveis, surge agora a decisão da presidente em forçar a participação da Venezuela na Usina de Pernambuco, apesar do parecer contrário da Petrobras. Para isto existem recursos. Mas eles não aparecem para investimentos na infra-estrutura econômico-social.



No âmbito interno, será votada nos próximos dias a estapafúrdia proposta de divisão do Estado do Pará em três Estados. O grave é que a decisão será tomada ouvindo-se apenas os eleitores paraenses, ao invés de consulta a todos os eleitores brasileiros, pois, caso aprovado o absurdo, a conta será paga por todos nós. As Forças Armadas estão abandonadas, em grave situação de penúria, inabilitadas propositalmente a cumprir suas funções constitucionais, acarretando risco crescente à Segurança Nacional. Recursos e planos utópicos são prometidos por intermédio da famigerada Estratégia Nacional de Defesa (END), que continua a ser uma utopia, sem concretização real. Apenas promessas para ir enganando os profissionais da área.



A denominada oposição, acostumada às benesses do poder, não dá o ar de sua graça. É tíbia, incompetente, preguiçosa, com raras exceções. Infelizmente, o panorama não é animador para todos os brasileiros amantes de sua Pátria, que presenciam com apreensão este triste estado de coisas, sem perspectiva de correção. O objetivo da maioria da classe política do nosso país é “enricar e ter puder”, como é dito no Nordeste.



Correio eletrônico: mcoimbra@antares.com.br



Sítio: www.brasilsoberano.com.br (Artigo de 06.12.11- MM).