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terça-feira, 12 de abril de 2011

GADO FARDADO


Lenilton Morato – 30 de março de 2011

Na cultura e na tradição gaúcha, existem dois eventos que são muito comemorados nas estâncias (fazendas): a marcação e a castração do gado. No primeiro, o ferro em brasa com as iniciais do dono do rebanho queima o couro da rês para que todos saibam a quem ela pertence. No segundo, retiram-se os culhões dos touros, que passam a ser chamados de bois, com o objetivo de torná-los mais mansos e de engorda mais rápida, preparando-os para o abate. Os indivíduos que possuem características de boa performance e genética são poupados da castração para que se tornem reprodutores, garantindo ao proprietário melhores exemplares para o abate.

Dentro da sistemática da esquerda, ocorre algo semelhante. Indivíduos são marcados e castrados com a ideologia do partido. A marca, entretanto, só é perceptível quando a infeliz criatura abre a boca para repetir o batido discurso revolucionário, em apoio cego a toda forma de dominação intelectual, cultural, moral e religiosa. A castração ocorre quando, ao observar potenciais opositores, a esquerda trata logo de capar as lideranças, seja através de perseguição ideológica, seja pela utilização de cargos em estatais para retirar dos opositores a vontade de lutar pelo que acreditam. Assim, tal qual nas estâncias gaúchas, o gado fica sob controle, esperando a hora do abate.

Dentro dos quartéis não é diferente. Mesmo antes da chamada redemocratização, a esquerda foi progressivamente marcando sargentos, oficiais e comandantes para que abraçassem o seu ideal de "um mundo novo é possível". Progressivamente, a geração de militares nascidos e formados após a retomada do poder pelos partidos políticos foi sendo trabalhada para acreditar que o passado seria esquecido e que a anistia seria realmente para todos. Como coelhos, os cidadãos fardados foram caindo na armadilha. Foram marcados em sua mente, em sua alma para serem apolíticos, sem opinião ideológica formada. E pouco a pouco foram esquecendo os porquês da necessidade do movimento de 31 de março de 1964 e seu posterior enrijecimento. Passaram a acreditar na história contada por aqueles que perderam a batalha militar, mas venceram a guerra cultural.

Aos poucos oficiais de alta patente que ousaram tentar manter viva a história daqueles conturbados anos, o partido tratou logo de castrá-los. Retirando o comando de muitos, enviando para a reserva outros tantos ;a regra do jogo ficou muito clara: aqueles que se posicionarem a favor da Revolução Democrática de 1964 não poderiam ascender aos postos mais elevados da hierarquia militar. E caso já os tivessem galgados, seriam castrados, ou seja, destituídos de seus grandes comandos e retirados para a inatividade. Assim, foi sendo minada a resistência militar aos mandos e desmandos da esquerda, ao mesmo tempo que promoveu-se o acovardamento dos comandantes. A moeda de troca? Cargos, dinheiros, e uma "boquinha" numa estatal como a Petrobrás ou a Vale. A esquerda tem, enfim, o seu rebanho fardado.

O ápice, porém não desfecho, deste processo pode ser observados em duas decisões recentes: a da POUPEX em não mais patrocinar o periódico INCONFIDÊNCIA e a do Comando do Exército em retirar do calendário, as comemorações alusivas à Revolução Democrática de 31 de Março de 1964. Além de não divulgar de maneira clara esta decisão para a tropa, fica evidente o acovardamento moral de nossas Forças Armadas diante desta manifestação clara de tentar forjar ainda mais a história. De olho em seus vencimentos , para não serem ejtados da vida militar e com possibilidade de arrumar um carguinho nas diversas empresas, agências, secretarias e ministérios do governo, os comandantes militares deixam de defender a história de seu país, deixam de lutar pela verdade dos fatos daqueles anos tão distorcidos pela historiografia oficial da academia.

Cada vez mais rapidamente, as nossas Forças Armadas vão fazendo parte do grande rebanho esquerdista. São tratados como gados, marcados e castrados, para depois serem abatidos. Não levantam a voz em defesa de seus ideais. Não mexem uma pena para tentar resistir a esta sem-vergonhice socialista. Entregam suas almas ao partido. Quebram o sagrado juramento de lutarem em defesa da HONRA da Pátria, tão maculada por aqueles que hoje governam o país. Apenas baixam a cabeça e repetem o mantra: sim senhor (a).

Ignoram completamente que estão sendo vítimas de um processo que os levará à sua destruição. Em breve, os outrora defensores da democracia e da liberdade de 1964 serão acusados de torturadores, assassinos e genocidas pelos próprios militares. Estes simplesmente ignoram o mundo a seu redor, limitando-se à rotina de batalhas fictícias contra um inimigo imaginário, enquanto o verdadeiro os governa e comanda.

O triste e preocupante é saber que a cada geração de novos generais a ignorância acerca das forças que atuam no mundo e no Brasil é cada vez maior. Não conseguem enxergar além daquilo que foram programados, além do que permite a marca ideológica imposta pela esquerda, mesmo quando eles sequer se dão conta que a possuem, como gados.

Os que reagem são castrados. Consequentemente, não deixam novas descendências. E o rebanho segue engordando, cada vez mais pronto para o abate.





http://leniltonmorato.blogspot.com/

AS TRAGÉDIAS, OS MINUTOS E AS HORAS...






 
“O futuro tortura-nos, o passado acorrenta-nos,

eis porque o presente nos foge.”

Gustave Flaubert





Waldo Luís Viana*



Fiquei pensando na brutal chacina de Realengo, que nos elevou pelo lado negativo à categoria de país do Primeiro Mundo, e fiz a mim mesmo aquela acaciana pergunta que afligiu a todos nós: por quê?

A mídia, como de hábito fez suíte da tragédia, partindo do princípio de que o cidadão comum se consola ao se inteirar desses acontecimentos em relação à vida maldita que leva, e trouxe o depoimento de especialistas em psiquiatria e violência, tentando como sempre explicar o impossível.

Na verdade, se tomarmos aqueles poucos minutos oferecidos ao livre-arbítrio do assassino, não haveria tragédia. Quantos presidiários, purgando a própria pena, não lamentam os poucos instantes insanos em que perpetraram um crime e comprometeram para sempre o futuro de suas vidas? Como lamentamos, nós, os inocentes, termos tomado decisões impensadas que entortaram nosso destino nesta ou naquela direção? E não é terrível pensar no passado como uma prisão em que nos metemos por segundos e hoje precisamos dissolver as contradições que produzimos?

A essência da chacina de Realengo é que o pistoleiro desvairado se matou, escapando de ser punido por nossa soberba em culpar alguém pelo que absolutamente não entendemos. Estabelecemos na lei o que é delito e a dosimetria das penas, às vezes em escritórios e palácios refrigerados, enquanto os algozes fazem das suas, tentando escapar dos cruéis castigos e de nossas prisões medievais. Os que conseguem tal intento recebem a admiração oculta dos celerados de fora, que andam soltos, e passam a pertencer à extensa galeria dos bandidos impunes que frequentam as esquinas de nossas vidas diárias, alguns até famosos...

Com o suicídio clássico, justificado por carta logo taxada de desconexa e fruto de mente psicótica, o assassino fugiu ao castigo social, mediante amplo e teatral gesto metafísico. Em minutos, transformou num inferno a vida de dezenas de famílias que nada puderam fazer a não ser lamentar o ocorrido e mitigar o buraco horrendo que passou a existir em suas vidas. Já as nossas autoridades correram logo aos microfones para dar “aquela faturadinha”. Elas sempre precisam lucrar com as tragédias e como uma sucede a outra, decretam luto e alardeiam aos quatro ventos a futura assistência psicológica e moral aos enlutados.

O pano de fundo, é claro, de violência e insegurança geral e difusa em nossas cidades não será tocado, porque necessita de uma política de prevenção jamais praticada. Os brasileiros adoram por tranca em porta arrombada e assim continuará sendo. É nosso destino cultural. Os únicos a prever alguma coisa no Brasil são astrólogos, jogadores de bolsa e banqueiros. Os políticos, porém, ou lidam com o futuro (o deles) ou com o passado (de seus adversários), mas vivem o presente a reboque de sustos, porque não conseguem produzir história.

Nossa história, conspurcada em segundos e minutos, condiciona os anos futuros e nem percebemos. O país jamais será o mesmo depois desse pistoleiro esquizofrênico que expos nossas chagas em fratura exposta: as crianças e os jovens brasileiros não têm a menor segurança nas escolas, a proteção do primeiro emprego nem certeza de futuro. Essa é a realidade, que um fato qualquer, concentrado num instante, é capaz de nos fazer entender e sofridamente engolir...

Somos desabrigados, numa sociedade desabrigada. Já disse, em outro lugar que o corrupto é um idiota que não entende a lei do retorno: ele rouba hoje, amanhã tem de levar o filho escoltado para o colégio e depois de amanhã seu neto será assassinado por alguém prejudicado por seus atos. Se ampliarmos tal estofo para a sociedade em geral, teremos a mórbida contabilidade dos assassinatos sem razão, dos gestos desesperados dos assassinos, sequestradores, ladrões e estupradores que refazem por segundos a história de nossas cidades, sujando o seu destino com sangue inocente.

“Alô, alô, Realengo, aquele abraço” – disse bem o menestrel, sem saber que um dia o lugar seria um divisor de águas de nossa desídia. Não conseguir punir o culpado é pior, porque torna a culpa coletiva, tendo que ser suportada e magnificada por todos nós!

Fechados os caixões das crianças e dos adolescentes indefesos, passaremos logo à próxima atração, naturalmente com o costumeiro padrão global de qualidade. O espetáculo terá de continuar, porquanto nos habituamos a não enfrentar o essencial, que não pode ser reduzido a discursos vazios nem às manipulações de licitações viciadas. Já estamos escutando, com o nosso espírito acomodado, a conversa mole de desarmar a população, como se ela fosse a culpada, ou algum movimento para gerar de chofre um conjunto de leis mais duras, sempre engavetadas no Congresso nas horas posteriores.

Cobrar-se-á depois do Judiciário a solução, como se um poder provocado, sob a pressão de milhares de leis, que subsidiam nosso Estado corruptíssimo, pudesse conter a solução mágica. E o pior é que acostumaram o pobre a essa pantomima: em qualquer tragédia, onde o poder público nos faz de palhaços, aparecem os protestos dos humildes e, com microfones abertos, qualquer do povo fala, sentenciosamente: “eu quero justiça!”. Não é verdade, isso? A reportagem é editada e, diante do acontecimento trágico e clamoroso, seja ele qual for, alguém da patuléia, da choldra enfezada e ofendida vem com o apelo final: “eu quero justiça!”

Só esquecemos do detalhe: a justiça no Brasil é pior que a divina, demora mais...

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*Waldo Luís Viana é escritor, economista, poeta e teme viver daqui por diante em luto permanente...

Teresópolis, 8 de abril de 2011.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

DE CABEÇA PARA BAIXO




Prof. Marcos Coimbra*




 
De cabeça para baixo ou de ponta-cabeça como falam os paulistas é como enxergamos a conjuntura vivenciada nos dias de hoje.



No plano internacional, continua o massacre no Oriente Médio, em especial na Líbia. É inteiramente injustificável a argumentação de que o objetivo é humanitário, ou seja, de proteção à população civil, quando todo mundo sabe que a verdadeira intenção é a posse do petróleo e do gás natural, com ou sem Kadafi. De preferência sem ele, com o poder exercido por um preposto local, dócil aos interesses dos “donos do mundo”. As lições recentes, como as do Iraque, do Afeganistão e outras, demonstram este fato. Chegaram a inventar “armas de destruição em massa” nas mãos de Saddam , enforcado não em virtude de seus inúmeros crimes, mas sim por não ter cedido aos detentores do poder político real no mundo.



Existe ainda a grave situação do Japão, enfrentada com coragem e competência por um povo admirável, porém sujeito a adversidades incomensuráveis, principalmente advindas do desastre nuclear em usinas atingidas pela força da natureza. Possuem uma civilização educada, culta, capaz de enfrentar e vencer os piores desafios. É o único país que foi bombardeado por artefatos nucleares. Dois. E sobreviveram, chegando a alcançar a posição de terceira economia do mundo, por muito tempo, sem recursos naturais e com diminuto território. Mas as consequências da hecatombe serão sentidas não só por eles, como pelo mundo inteiro, em todas as expressões do Poder Nacional. Somos solidários ao povo japonês e temos a certeza de que eles vencerão novamente.



No ambiente nacional, vive-se uma situação surreal, em especial na esfera econômica. Nossa gente ainda não percebeu o tamanho do problema a que estamos submetidos e seus desdobramentos. Um grande número de pessoas está consumindo de modo perdulário, sem reais condições econômico-financeiras para isto, com dívidas crescentes, tendendo à inadimplência e estão felizes, na ilusão de que esta situação permanecerá “ad eternum”. Os preços estão subindo assustadoramente e os índices oficiais captam o início do processo, agravado a cada dia. O litro da gasolina bate em R$ 3,00, enquanto em meados do ano passado era de R$ 2,50. Isto em um país no qual as autoridades gabam-se de haver atingido a auto-suficiência no petróleo. Porém, estamos importando não só o petróleo, como até o etanol. Vamos dobrar a importação de álcool combustível no período da safra 2011/12. E as autoridades sonham em exportar o bem para os EUA. Nos EUA, no Paraguai, na Argentina os preços da gasolina, convertidos em real, são inferiores.



Os preços dos serviços públicos crescem em níveis superiores a 11% (energia, transportes{exemplo: táxi-14%} etc. Aluguel (corrigido pelo IGP-M), pedágio e por aí vai. E a administração petista concede um mísero reajuste do salário mínimo, mal cobrindo a inflação medida pelo IPCA e concede uma esmola de correção de 4,5% na tabela do imposto de renda, inferior a da elevação oficial de preços. E para compensar a “perda de arrecadação” aumentam os impostos até da água engarrafada que bebemos. A inflação passa a barreira de 6% e o crescimento esperado do PIB baixa para patamar inferior a 4% em 2011. E mais cargos públicos de confiança são criados para atender aos apetites da insaciável bancada governista. Mais uma secretaria é criada, com um mínimo de 70 cargos iniciais. É demais. Não há economia que suporte.



No âmbito político, reina a corrupção galopante. A OAB denuncia que o crime do “mensalão” vai prescrever em agosto deste ano e nenhum réu foi punido até hoje, nem deverá ser. A imprensa divulga um contundente relatório final da Polícia Federal confirmando o pagamento de propina a congressistas e o desvio de dinheiro público para custear campanhas eleitorais, envolvendo, dentre outros, o amigo e ex-segurança pessoal do ex-presidente Lula, Freud Godoy, o atual ministro Fernando Pimentel e o senador Romero Jucá. Ali-Babá e os quarenta ladrões vão ficar impunes. Mas querem cassar o deputado federal Jair Bolsonaro, por qualquer motivo. Já tentaram antes. Estão em nova ofensiva e, caso não consigam, vão inventar outra razão. A resposta dada por ele à pergunta da cantora não se refere a qualquer etnia, percebendo-se que o deputado estava respondendo a questões anteriores, envolvendo mais o homossexualismo. Lula (Pelotas) e Marta (Kassab) fizeram muito pior em relação ao tema.E quanto à outra questão, todos nós somos afro-descendentes, pois a raça humana nasceu na África. Ele está sendo perseguido porque, na prática, é um dos poucos congressistas que possui a coragem de enfrentar o rolo compressor dos “ressentido/vingadores” derrotados em 64, que queriam implantar uma ditadura comunista no Brasil.



No campo social, perdura o caos na educação e na saúde. Uma auditoria, por amostragem, realizada em 2,5% apenas dos contratos existentes na área da saúde, apontou um desvio de recursos da ordem de R$ 600 milhões. “Coeteris paribus” (mantidos constantes os fatores), chegaremos a uma fantástica quantia de R$ 24 bilhões fraudados. E querem recriar a CPMF ou algo semelhante. Qual a real finalidade?



Na expressão militar do Poder Nacional, por ordem expressa da presidente, os comandos da Forças Singulares proibiram a comemoração do dia 31 de março, abrindo um precedente perigoso. Amanhã, são capazes de proibir também as comemorações da semana da Pátria. A situação chegou ao cúmulo de, na 5ª feira passada, ter acontecido algo inacreditável. A Adesg-Nacional programou um almoço no Clube de Aeronáutica, por coincidência no dia 31.03, em homenagem ao Corpo de Fuzileiros Navais, por seu aniversário (07.03), e ao responsável pela realização dos jogos militares. No citado dia o general do Exército, responsável pelos jogos, compareceu com seus assistentes, mas não apareceram os representantes da Marinha. Houve a surpresa geral. Apurando-se a razão, consta que teria havido a proibição imposta pelo comando da Força a qualquer participação externa dos seus integrantes a qualquer comemoração. Haja disciplina! Mas tudo tem um limite. E a cada ação corresponde uma reação em igual proporção, cedo ou tarde.


*Conselheiro Diretor do CEBRES, Titular da Academia Brasileira de Defesa e da Academia Nacional de Economia e Autor do livro Brasil Soberano.





Correio eletrônico: mcoimbra@antares.com.br



Página: www.brasilsoberano.com.br (Artigo de 05.04.11-MM)