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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Inglaterra quer controlar a Amazônia dos brasileiros





CHICO ARAÚJO

chicoaraujo@agenciaamazonia.com.br



Verão de 1969, apartamento de Hanbury-Tenison, Londres. Maio de 2008, Clearence House, residência do Príncipe Charles, Londres. São 39 anos de uma reunião para outra. Aí você pode se perguntar: o que isso tem a ver com a Amazônia? Tudo. O establishment inglês cria nesse primeiro encontro a organização não-governamental (ONG) Survival Internacional. Sua finalidade expressa: criar no Brasil o Parque Ianomami.



Vale dizer: se intrometer em assuntos internos do Brasil, que só aos brasileiros dizem respeito. O Brasil jamais se meteu em assuntos internos da Inglaterra.

Quatro décadas depois, o príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, reúne autoridades e parlamentares da Amazônia com representantes de instituições financeiras e das indefectíveis ONGs. Discutiram-se ali temas relacionados diretamente com a região: agricultura, meio ambiente, infra-estrutura, finanças, saúde, e educação. Charles é mais ousado. Oferece-se para ser uma espécie de interlocutor privilegiado entre as personalidades brasileiras envolvidas nas questões amazônicas e as lideranças britânicas interessadas na ‘proteção’ da floresta amazônica.



Ali estavam presentes os governadores Ana Júlia Carepa, do Pará; Waldez Góes, do Amapá; e José de Anchieta Júnior, de Roraima. O Acre e o Amazonas foram representados pelos senadores Tião Viana (PT-AC) e Arthur Virgílio (PSDB-AM). O encontro reuniu ainda executivos de grandes empresas, entre as quais Rio Tinto, Shell, Deutsche Bank, Goldmann Sachs, Morgan Stanley e MacDonald's. Também não faltaram os dirigentes do WWF, Greenpeace, Friends of the Earth (Amigos da Terra). Até o líder indígena Almir Suruí esteve por lá.



Para quem não sabe:  Rio Tinto é uma das maiores mineradoras do mundo. Shell uma das maiores produtoras de petróleo do mundo. Interessante, não ?



Sete dias após o encontro, Charles lança sua própria ferramenta de ‘proteção das florestas tropicais do planeta’ (leia-se Amazônia). É um site contra o desmatamento e o aquecimento global.. A iniciativa é anunciada um artigo altamente apelativo no jornal britânico The Telegraph e convenientemente intitulado ‘Ajude-me a salvar as florestas tropicais’, no qual Charles explica que o portal faz parte de uma outra iniciativa sua, muito mais abrangente, o Rainforests Project (Projeto Florestas Tropicais).



O Projeto foi delineado por Charles em outubro do ano passado durante um jantar especialmente realizado pelo WWF por ocasião do lançamento de seu mais novo programa, a Iniciativa Amazônica (Amazon Initiative). Em seu discurso, Charles prestou comovente homenagem ao WWF e a seu pai, o príncipe Philip (fundador e presidente emérito da ONG), e deixou claro qual é a orientação do Projeto:



‘Senhoras e senhores, as florestas (tropicais) precisam ser vistas como elas são – gigantescas utilidades globais, provedoras de serviços públicos para a humanidade em vasta escala.’



Ao referir-se aos esforços empreendidos pelo Brasil e outros países para reduzir o desmatamento, Charles afirma que:



‘Nenhum desses países pode resolver sozinho o problema do desmatamento pois, freqüentemente, ele é causado pela demanda de países em desenvolvimento por óleo de palma, carne e soja. O ponto aqui é que todos nós – o mundo todo – estamos juntos nisso e é por isso que, juntos, precisamos garantir que todas as medidas necessárias (para conter o desmatamento) sejam empregadas. E isso é exatamente o que a Iniciativa Amazônica do WWF está determinada a alcançar’. [..]



‘Senhoras e senhores, a Iniciativa Amazônica do WWF é da maior importância possível. Ela precisa do nosso apoio, e é por isso que estou muito satisfeito que o WWF esteja trabalhando em conjunto com o meu próprio Projeto Florestas Tropicais que estou anunciando hoje’. [..]



‘Nós trabalharemos com o setor privado, governos e especialistas ambientais para desenvolver um leque de soluções práticas que podem começar a ser implementadas nos próximos dezoito meses. Isso é importante, pois é nesse período que o G8 e a ONU vão estabelecer as prioridades no durante as negociações (da extensão) do Protocolo de Kyoto.



‘A tarefa é revisar, desenvolver e propor mecanismos, incluindo soluções legislativas e de mercado e outras idéias que reconheçam o valor real dos serviços do carbono e do eco-sistema proporcionados pelas florestas (tropicais) remanescentes’.


‘Financeirização da floresta’
O empresário brasileiro Jorge Pinheiro Machado foi um dos organizadores do convescote. Sua impressão da reunião do príncipe Charles com os governadores da Amazônia é a seguinte: Sua Alteza quer ser interlocutor privilegiado entre as personalidades brasileiras envolvidas nas questões amazônicas e as lideranças britânicas interessadas na ‘proteção’ da floresta amazônica e promover uma espécie de ‘financeirização’ das florestas nativas via remuneração dos ‘serviços ambientais’ que elas prestam à humanidade. A linha de ação do esquema prevê a melhoria da qualidade de vida dos povos da floresta — leia-se índios — para que se transformem em ‘guardiões das florestas’.



Para isso, os ingleses pretendem fazer investimento pesado. Segundo Machado, a comunidade britânica estaria disposta a desembolsar cerca de 10 bilhões de libras esterlinas (mais de R$ 50 bilhões) para remunerar os serviços ambientais prestados pelas florestas. O que se discute agora são as formas de captação desses recursos, se por pagamento de ‘bolsas-floresta’, por aporte direto aos fundos estaduais de meio ambiente, por projetos específicos ou ainda por outros mecanismos financeiros.

A ‘financeirização’ segue o script antigo daqueles que cobiçam a Amazônia: mantê-la despovoada e desconectada do restante do Brasil. Desta vez, porém, as ações acontecem às claras, e não mais à surdina como até bem pouco tempo. A Casa Real britânica faz questão de explicitar que participa direta e abertamente desse processo. Roberto Smeraldi, chefão da Friends of the Earth (Amigos da Terra) no Brasil, deixa isso bem evidente, quando diz:



Alguns dos convidados brasileiros deixaram perplexos os participantes britânicos ao defender iniciativas tidas por eles como pouco compatíveis com o desenvolvimento das populações locais, o foco principal do encontro:



- é o caso do governador Anchieta de Roraima, que afirmou ter ‘apoio de 80% da população indígena’ para promover o cultivo de arroz no leste de seu Estado;



Para quem não sabe: a partir desse momento os ingleses montaram terrível pressão internacional para conseguir a criação da Reserva Raposa Terra do Sol em área contínua, vizinha a área que haviam tomado do Brasil via rei da Itália - caso Pirara - e expulsar os plantadores de arroz e outros brasileiros que já estavam na região há mais de 100 anos, com títulos legais, tudo sob o manto da proteção do STF-Supremo Tribunal Federal.


- e do secretário executivo do MME, Márcio Zimmermann, que defendeu a realização de grandes projetos para barrar os principais rios da região, como o Madeira, o Xingu e o Tapajós.



Para quem não sabe: começou aí a campanha internacional contra a construção das hidrelétricas, sendo a mais violenta contra Belo Monte, na qual foi utilizada até artistas da Rede Globo para enganar a opinião pública brasileira. A razão é muito simples: não podem deixar que a região seja efetivamente ocupada pelos brasileiros; ela tem que ficar disponível para a cobiça internacional.




Encontro em Belém



Embasbacados com as gentilezas de Sua Alteza, os políticos brasileiros não fizeram cerimônia. De pronto, e sem uma avaliação profunda das reais intenções da Casa Real britânica, marcaram a segunda etapa do encontro a ser realizada no Brasil — mais precisamente em Belém, lugar do Brasil recorde em trabalho escravo e vice-campeão em desmatamento. Pelo acertado, a reunião seria realizada 90 dias após o encontro com o Príncipe Charles.



As atuações do Príncipe Charles em assuntos da Amazônia sempre foram de imposições sobre o Brasil.



Em abril de 1991 o herdeiro do trono britânico fez uma visita do País. À época, Charles promoveu um seminário de dois dias a bordo do iate real Brittannia, ancorado sintomaticamente no rio Amazonas. Ali estavam David Triper, ministro de Meio Ambiente da Inglaterra; William Reilly, diretor da Agência de Proteção Ambiental dos EUA; Carlo Ripa di Meana, coordenador do Meio Ambiente da Comunidade Européia, e Robert Horton, presidente da British Petroleum.


Para quem não sabe: a British Petroleum, além de produtora de petróleo, é uma das maiores mineradoras do mundo. Já esteve operando na mineração no Brasil; teve que encerrar suas atividades devido a dispositivo expresso na Constituição de 1988. Paira sobre a empresa a suspeição de estar levando para fora do país minerais radioativos. Uma das princesas inglesas veio inaugurar a sede na empresa no Rio de Janeiro, na rua Voluntários da Pátria, Botafogo, cidade do Rio de Janeiro. Com a promulgação da Constituição de 88 deixpu o Brasil. A British Petroleum é controlada pela Família Real Inglesa.




O então presidente Collor de Mello e seu ministro do Meio Ambiente, José Lutzenberger também estiveram por lá.



Para quem não se lembra: meses depois, Collor de Mello criou a gigantesca reserva ianomâmi, etnia inventada por antropólogos da Survival International, braço indígena do WWF.



A reserva foi criada pelo então presidente Collor de Mello, em 1991, por pressão da oligarquia inglesa e do presidente George Bush, o pai, que ofereciam a ilusão do Brasil ao ingresso ao clube do chamado Primeiro Mundo.



Resultado: o Brasil não entrou no seleto grupo.



Apenas criou uma espécie de nação, a Ianomami, na região fronteiriça entre o Brasil e a Venezuela. A reserva tem 5 milhões de hectares — eram apenas 2,4 milhões quando criada — e concentra a maior reserva de ouro e diamantes do mundo.

A ampliação da reserva se deu com base nos resultados do levantamento dos recursos minerais da Amazônia executados pelo Projeto Radam-Brasil, de 1975.



Para quem não sabe: “Esta ampliação permitiu que as grandes reservas de minerais nobres (ouro, estanho, nióbio e materiais radioativos) detectados pelo Radam-Brasil ficassem dentro da reserva”.



Alerta do coronel Hiram Reis e Silva, no artigo Amazônia, cobiça e ingenuidade. O artigo de Silva está no site do Cosif — Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional. Vale a pena ler.


Sempre por perto:  Coincidência ou não, o Príncipe Charles sempre está por perto toda vez que esquenta a disputa em torno das reservas indígenas de Roraima, particularmente a Raposa-Serra do Sol.



Foi assim em 2000 quando ocorreram as primeiras reações contra a criação da reserva em área contínua. À época, Charles visitava a vizinha Guiana onde participou pessoalmente da inauguração da reserva ambiental de Iwokrama.



A reserva, com 400 mil hectares, situa-se na região do rio Rupunini, que já foi território brasileiro.

Para quem não sabe: essa é a região que foi roubada do Brasil pela Inglaterra, mediante o “arbitramento” fajuto do rei da Itália. O caso “Pirara”.



Seis meses antes, o secretário do Ministério de Relações Exteriores do Reino Unido, Paul Taylor, e o secretário da embaixada britânica no Brasil, John Pearson, estiveram em Roraima para ‘conhecer de perto a realidade indígena’ do Estado. Desde o ano passado, o governo da Guiana resolveu se auto-transformar em ‘protetorado verde’ sob a administração britânica, tendo Iwokrama como modelo.



Agência Amazônia de Notícias


ADITIVO AO ARTIGO - Responda, se puder:



1. Só haviam cerca de 2.700 índios no lado brasileiro e foi criada uma reserva (Ianomani) de área contínua maior que Portugal. Por qual razão Collor não seguiu a orientação dos militares brasileiros, que eram contra a Reserva Ianomani em área contínua e sim em “ilhas”, dando para os índios as áreas onde eles realmente ocupavam ? Será que existiu grana na parada ? Ou foi patente negligência ?



2. Nas vésperas do STF–Supremo Tribunal Federal aprovar a Reserva Raposa Terra do Sol em área contínua, o príncipe Charles veio fazer uma “visita” à Amazônia brasileira. Será que foi apenas uma visita de “cortesia” ou veio tratar de “negócios” ?



3. E a FUNAI, apenas uma FUNDAÇÃO, teria poderes constitucionais para, em atos isolados – sem a aprovação do Congresso Nacional -, demarcar reservas indígenas e criar condições objetivas que permitam a subtração territórios brasileiros ?



4. Partindo da posição que não tenha existido suborno em nenhum dos casos que envolveram “reservas” indígenas até agora, os atos consumados podem ser entendidos como de traição ao Brasil ?



5. E a posição do Brasil na ONU, aprovando a “OIT – Convenção 169 de 7/6/1989” e a “Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas” - os Estados Unidos, o Canadá, a Nova Zelândia e a Austrália se recusaram a aprovar essas resoluções, sob a argumentação que violavam a legislação interna de seus países -, com textos que criam condições objetivas para a subtração de territórios atualmente brasileiros foram atos de traição ao Brasil ?



























quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

ESTRATÉGIAS DE UMA CLASSE DE POLÍTICOS SAFADOS



Para um poder público controlado por bandidos da corrupção, punir exemplarmente um lobista que, segundo dezenas de denúncias, não passa de um bandido da corrupção investido no cargo de ministro, não é uma afirmação de autoridade moral da presidente, nem o pleno exercício da obrigatória exigência do respeito a uma sociedade que trabalha mais de cinco meses por ano para sustentar tanta patifaria.



Na verdade esses casos - que se repetem e viraram um vício de desgovernos petistas - de absoluto desrespeito às leis, à moralidade, à ética e aos contribuintes, sempre são tratados com muito mimo, pois a maioria não passa de bandidos reféns de bandidos.



Conforme noticia publicada no Globo:



“Planalto tenta evitar crise como a de Palocci”. “Depois de barrar a convocação de Pimentel no Congresso, estratégia do governo agora é retirar tema do noticiário”



para que a sociedade dos patriotas mortos esqueça bem rápido os que lhes fazem de palhaços e imbecis todos os dias, com a conivência de uma relevante parcela do jornalismo que se vendeu ao PT.



Vamos sofisticar um pouco mais a definição do nosso país: o Brasil é um Paraíso de Patifes desgovernado por um Covil de Bandidos apelidado de poder público, controlado por burguesias e oligarquias de ladrões, com o suporte das quadrilhas de lobistas que lhes prestam “inestimáveis serviços”, enquanto a sociedade espera pacientemente por sua própria destruição.



Geraldo Almendra



PRIVATIZAÇÕES


Não li e não gostei





O livro A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr., contém denúncias gravíssimas sobre irregularidades nas privatizações feitas durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Das duas opções que nos foram apresentadas nas últimas administrações públicas federais, qual é a menos ruim: privatizar empresas públicas deficitárias e torná-las lucrativas - ainda que milhões de reais eventualmente acabem em bolsos indevidos - ou aparelhar as empresas públicas deficitárias com uma legião de "cumpanheiros" incompetentes, que permanecem mamando milhões indefinidamente nas tetas dessas estatais?





VICTOR GERMANO PEREIRA

victorgermano@uol.com.br

São Paulo



PT E PSDB: o bipartidarismo da mentira!





“Só existem dois grupos em verdadeira luta no Brasil:
os que estão roubando e os que querem roubar."
Tenório Cavalcanti







Por Waldo Luís Viana*




Num país como o nosso, sobre o qual a Justiça Eleitoral afirma ter um regime “hiperpartidário”, com quase 30 partidos, em sua maioria repartições de mero registro de candidatos e negociadores de repartição do horário público eleitoral – encontramos, na prática da esperteza, duas agremiações, quase iguais, semelhantes em tudo nos costumes de seus dirigentes, brigando entre si numa interminável disputa de poder, como se fossem os únicos comensais do butim, com o povo olhando, apinhado atrás dos cordões de isolamento.



O PT, muito hábil, conclama à velha luta entre ricos e pobres, confrontando os engravatados que falam inglês com os barbudinhos da máfia de pelegos sindicais. Agora vem com a mesma estória das privatizações da Vale e das teles como massa de manobra para toldar os escândalos que abalam o seu governo “republicano”. Se isso era tão importante investigar, porque os mandatos de Lula não o fizeram no espaço de oito anos? Por que não houve qualquer devassa pra valer ou mesmo uma CPI qualquer? É muito simples responder: porque, na hora das eleições, era muito mais útil confrontar as privatizações (que o povão não sabe muito bem o que é!) com o perigo de extinção do bolsa-família (benesse que, antes, os petistas denunciavam como meras compensações eleitorais).



Essa manobra de eleger um adversário e bater na mesma tecla, transformando um boato irreal em simulacro de verdade, é tática velha e carcomida da propaganda comunista. Assim fez Stalin, em seus expurgos nos anos 1930, na União Soviética, e Teng Xiao Ping, que em 1976 denunciou ao povo o “bando dos quatro” sobre as sevícias perpetradas durante a revolução cultural chinesa. Isso é tão velho se fazer em política – nomear um só adversário para o povão entender quem é o inimigo – que custa a acreditar como os malandros do PSDB não conseguiram (ou não quiseram!) denunciar e neutralizar a prática brandida pelos petistas.



Por sua vez, o PSDB, e seus adeptos de alta plumagem, não tem programa de governo a oferecer. Apenas um duelo de vaidades, entre dois presidenciáveis, com cada metade do partido (desculpem o pleonasmo!) tentando se equilibrar em cima do muro entre os próximos e eventuais candidatos. Finge-se de oposição, denunciando suavemente o PT, sempre querendo deixar o adversário “sangrar” em busca de uma pretensa “fadiga do material” que jamais acontece.



O partido no poder, temendo perdê-lo, faz habitualmente alianças, mesmo as mais espúrias com a direita oligárquica e os rentistas internos e externos, e se mantém altaneiro em sua posição, distribuindo as conhecidas migalhas ao povão que sinceramente agradece nos períodos eleitorais. De fora ficam somente a educação, a saúde, as estradas, as ferrovias, os portos, o saneamento básico, os aeroportos, a defesa civil, a contenção de encostas e 80 impostos a pagar em troca de quase nada...



Os demais partidos assistem à pantomima como artistas coadjuvantes, pensando em abocanhar um naco da máquina estatal, irresponsavelmente distribuída para compor a tal “base aliada”, que só entra em guerra nas votações do Congresso, quando o seu apetite fisiológico e insaciável é contrariado.



O programa do PT, porém, é muito bem executado: “permanecer a qualquer custo no poder pra ver como é que fica...” E não importam os meios, aliás, ao diabo os princípios!, desde que o Estado continue todo aparelhado pela “nossa gente” e a oposição “a pão e água” – da mesma forma como em outros tempos recomendava Bakunin, outro comunista histórico...



Hoje, entretanto, há ideólogos de esquerda mais perfumados, como Gramsci, que falam da estratégia de conquistar o poder “por dentro”, dinamitando a pretensa burguesia e suas instituições, bem como formulando uma nova hegemonia com os atores sociais que promoveriam a tal revolução, distante mas inevitável, como um demiurgo fatal!



Só esqueceram que atualmente a burguesia é quase toda de esquerda – daquele tipo que chora pelo povo em comício e não quer dar aumento salarial para a empregada doméstica – aparelhista e pelega, prejudicada agora pelos expurgos anti-corrupção que estão atingindo o governo Dilma com um soco no estômago. A corrupção de esquerda, aliás, é bonita, idealista e feita por motivos tão nobres que quase nos fazem chorar. Coitadinhos dos consultores, meu Deus!



Tivemos a divulgação de um livro pela internet, “A Privataria Tucana”, sobre os pecados do ex-presidente tucano e seu mais influente ministro. Ambos atacados duramente pelos adversários, mencionando-se que tenta divulgar fatos fartamente “documentados” e tendenciosos, com o único objetivo de servir como artilharia nas próximas eleições e nos fazer esquecer, como coisa menor, a bandidagem oficial. É impressionante como sempre se encontra um jornalista de plantão para fazer esses papéis!



Assim caminha nosso regime hiperpartidário, que só tem dois partidos de fato, irmãos univitelinos na estratégia de discutir entre eles o comando do país. Nessa briga, o PMDB torna-se o mais esperto, fingindo-se de primo participante e aliado de quem vencer, porque são oligarcas regionais que não precisam possuir a presidência da República para governar. Esse, para quem conhece, é o mesmo esquema da República Velha, que terminou com Washington Luís, e se baseava em partidos regionais. Os demais partidos do imenso leque atual também são apenas partidos de região, com caciques localizados, mas que se organizam nacionalmente por força de nossa legislação cruel e adredemente formulada.



Nesse sentido, jamais teremos reforma política, porque são os mesmos lobos que controlam o galinheiro. E, pelo visto, pela ânsia dos ministros corruptos em não largar o osso, pela luta intestina por cargos, comissões, superfaturamentos e pelo conhecimento de como “funciona o Estado” para melhor roubá-lo e facilitar “os negócios” – a coisa continuará do mesmo modo e nós, atônitos, admirando o negro panorama!



Enquanto isso, o mundo gira e parece que entrou em crise ou recessão. É costume de nossas autoridades dizer ao povo que o Brasil jamais será alcançado por crises e que Deus é brasileiro. Quando vêm as tragédias, os políticos aparecem com paliativos, porque rapidamente elas são substituídas por outras, sempre cíclicas, sempre repetidas e sempre sem solução.



O bipartidarismo da mentira não resolveu nossos problemas, somente nos aproximou da beira do abismo. O problema é saber qual desses dois partidos, num verdadeiro jogo de comadres, irá dar o próximo passo...



___________



*Waldo Luís Viana é escritor, economista, poeta e confessa que, aos 56 anos, se sente cansado de votar. Talvez haja outros desiludidos...



Teresópolis, 14 de dezembro de 2011.