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sábado, 8 de outubro de 2011

SOBRE A TAL COMISSÃO DA VERDADE



A verdade é um espelho que caiu das mãos de Deus
e se quebrou. Cada um recolhe um pedaço
e diz que toda verdade está naquele caco."            
Provérbio iraniano

Waldo Luís Viana*

         Corria em mim a cândida idade de nove anos incompletos, quando estourou o contragolpe, a revolução ou o golpe de 1964. Seja qual nome adotado, nada tive a ver com o movimento, contra ou a favor. Como já possuo um passivo de 56 anos, creio que a maioria do povo brasileiro hoje em dia também não fora responsável direto pelos acontecimentos que culminaram no evento, nem tampouco tem a ver com as suas consequências, notadamente a luta armada ou a guerra oficial contra ela, empreendidas entre 1968 e 1975.
         Isso posto, é preciso notar que o regime militar terminou em 1985, após 20 anos de ditadura, embora o período de transição de José Sarney (1985-1989) tenha sido ainda tutelado pelas Forças Armadas, época ainda prenhe de explicações por parte de bons historiadores.
         Quando tinha 34 anos pude, enfim, resgatar minha cidadania e votar para presidente da República, após amargar, como quase todo mundo a tristeza de, anos antes, ver falecido o doce movimento das Diretas-Já, que, em 1984, procurou transformar pacificamente nosso precário sistema eleitoral de eleições indiretas.
         Hoje vivemos um regime democrático regular, mas eis que o governo atual pretende revolver o passado para recuperar o sentido histórico do que foi perdido nas franjas do tempo, remexendo em feridas que pareciam sepultadas pela velha lei da Anistia (1979).
         A Anistia valeu, como confirmou há pouco tempo o Supremo Tribunal Federal, mas a militância de esquerda não se deu por vencida: deseja revolver o que foi sepultado para trazer à tona o que até hoje ficou equívoco e sem melhor explicação.
         Como nada tenho a ver com o período, sei que houve mortos de lado a lado, torturadores, torturados, vítimas e assassinos a sangue-frio. A guerra oficial foi vencida pelo Estado, cujos proprietários e ideólogos da ocasião eram os militares e seus prepostos tecnocratas. Hoje, ao converso, os manipuladores do governo são de outra ideologia e propagam, com toda a convicção, que praticam agora a democracia e os direitos humanos.
         Querem nos convencer – aos que nada têm a ver com o bololô – que militares de direita torturaram e massacraram à vontade inocentes ativistas anti-ditadura que eram “apenas” democratas e meros agentes dos direitos humanos. Essa é muito boa!
         Esse estratagema de linguagem é grave, porque pressupõe uma reação extremista de um lado e moderada do outro, como se houvesse excessos de um lado só. O outro era o da facção vitimada e trucidada, com raras exceções, entre as quais a nossa “presidenta”, que nos governa...
         Ora, se é comissão da “verdade”, não se pode aceitar que ela esteja apenas de um lado, porque, senão, não haveria querelas. Ocorre que existem arquivos históricos confiáveis de que houve luta armada, guerrilha, sequestros e assassinatos perpetrados pela esquerda radical, que gostaria de ver instaurado no país um regime parecido com o de Cuba, que, então, estava na moda...
         Vários próceres do atual governo, inclusive, foram treinados na ilha dos Castro, retornando ao país com objetivos de retomada do poder pela força, compondo células e aparelhos, na tentativa de subverter a ditadura de direita.
         Para os de esquerda, os militares subvertiam a ordem que pretendiam instaurar, isto é, uma república proletário-sindical, à semelhança de Cuba e da extinta União Soviética; para os militantes da direita, os que foram para a clandestinidade, os banidos e os cassados representavam a massa de manobra que pretendia desfigurar a Pátria, mediante um regime comunista e ateu...
         No meio dessa sopa conflitante e ideológica nós, o povo, assistíamos a tudo, tocando o nosso dia a dia, opinando e silenciando de acordo com a conveniência cidadã de gente mal-informada ou sempre cientificada pela metade do que estava acontecendo.
         Agora, após tantos anos, os dois lados preparam-se para nova guerra, açulando os mais portentosos argumentos de parte a parte. Os cadáveres da esquerda e da direita ressurgirão, revigorados, trazendo raiva e estupor para uma sociedade de massas, entorpecida pela mídia e amedrontada no seu dia-a-dia sob violência difusa e insegurança.
         Pobre povo brasileiro, que não pode andar para a frente nem merecer o futuro! Abrirão a tampa do caldeirão e as bruxas surgirão, de parte a parte, com seus sortilégios noturnos. Poucos ganharão as reparações de guerra, um conflito em que a maioria absoluta da nação não lutou ou viveu qualquer envolvimento direto ou indireto.
         A pantomima desenvolver-se-á em meio a eleições, sendo bucha de canhão para aproveitadores, assim como se diz dos mensalões, também objeto de conflito e que sabemos não darão em nada em nossa Justiça capenga, lerda e elitista.
         Os caquinhos da verdade pertencem a dois grupos, em luta eterna, e que não mais representam os interesses do povo brasileiro. Os queixosos de injustiças – nós vamos ver – serão calados por maçarocas de dinheiro sangradas dos contribuintes e voltarão para suas casas, aburguesados, para criar os filhos, os netos e seguir a vida.
         Na verdade, a melhor coisa de que me lembro do período militar foi de uma música do Chico Buarque, em que ele implorava intensamente: “chamem o ladrão, chamem o ladrão!”. Parece que deu certo a veemência do ilustre compositor: os ladrões foram chamados e, hoje, no governo atual, estão todos aqui...
*Waldo Luís Viana é escritor, economista, poeta e não usufrui hoje de boquinhas nem do Estado aparelhado, assim como ontem não foi agraciado com cargos nem comendas...

IMPOSTURA DEPLORÁVEL




(por Maynard Marques de Santa Rosa)
         Essa é a definição correta da caricatura que a ironia denomina “comissão da verdade”. São cínicos os seus mentores, pela desfaçatez com que pretendem maquinar veredictos a partir de um grupo comprometido.
         Sob o pálio da ineficácia jurídica, ergue-se uma espada de Dâmocles sobre reputações respeitáveis, a quem deve a Nação a estabilidade política de que hoje desfruta.  
         O fantasma da calúnia, de triste inspiração nazista, ressuma no cenário de um País pacificado, como estratagema de um grupo de vingadores obstinados, dirigida aos que lhes frustraram o projeto de aqui implantar a tirania totalitária.
         Decorrido quase meio século, esvaiu-se o bolchevismo soviético, evoluíram os costumes e aplacou-se a sociedade, mas persiste o ânimo vingativo dessa minoria sectária, insensível às lições da vida.
         Alega-se politicamente necessária a investigação dos abusos da repressão e de seus responsáveis, a fim de “pacificar” a memória nacional. Como é possível fazê-lo, porém, sem a catarse dos fatos que lhes deram causa?
         Prevarica a autoridade, em qualquer regime de governo, que admita a subversão da ordem no âmbito da sua competência, sem providências retificadoras.
         Não existe argumento que justifique a violência, nem mesmo o idealismo do bem comum. A práxis leninista de que os fins justificam os meios não passa de sofisma hediondo.
         Portanto, para ser crível, o levantamento dessa comissão merece começar pela identificação dos assaltantes, terroristas e assassinos políticos, em atenção às vítimas inocentes, suas viúvas e seus órfãos.  
           E, além disso, se a autoridade moral para atirar a primeira pedra é inerente ao que está sem pecado, não assiste o direito de revisar o passado a quem prodigalizou o “mensalão”, enriqueceu-se na função pública ou omitiu-se ante a corrupção de seus correligionários.
         Reabrir uma ferida cicatrizada, sem a devida assepsia, pode disseminar infecção por todo o organismo.
         Espera-se que o Congresso Nacional cumpra o seu dever de legitimar a vontade da maioria, atendendo às prioridades do povo e descartando as imposturas de grupos carbonários.

·        O autor é General-de-Exército da Reserva
 
                           
        
           

OS GENERAIS PRESIDENTES... COMPARAÇÕES


   JORNALISTA CARLOS CHAGAS

"Erros foram praticados durante o regime militar, eram tempos difíceis. Claro que no reverso da medalha foi promovida ampla modernização de nossas estruturas materiais. Fica para o historiador do futuro emitir a sentença para aqueles tempos bicudos."

Mas uma evidência salta aos olhos.
Quando Castelo Branco morreu num desastre de avião, verificaram os herdeiros que seu patrimônio limitava-se a um apartamento em Ipanema e umas poucas ações de empresas públicas e privadas. Costa e Silva,
acometido por um derrame cerebral, recebeu de favor o privilégio de permanecer até o desenlace  no palácio das Laranjeiras, deixando para a viúva a pensão de marechal e um apartamento em construção, em Copacabana.Garrastazu Médici dispunha, como herança de família, de uma fazenda de gado em Bagé, mas quando adoeceu, precisou ser tratado no Hospital da Aeronáutica, no Galeão.   Ernesto Geisel, antes de
assumir a presidência da República, comprou o Sítio dos Cinamonos, em Teresópolis, que a filha  vendeu para poder manter-se no apartamento de três quartos e sala, no Rio. João Figueiredo, depois de deixar o
poder, não aguentou as despesas do Sítio  do Dragão, em Petrópolis, vendendo primeiro os cavalos e depois a propriedade.  Sua viúva, recentemente falecida, deixou um apartamento em São Conrado que os filhos agora colocaram à venda, ao que parece em estado lamentável de conservação.
Não é nada, não é nada, mas os cinco generais-presidentes até podem ter cometido erros, mas não se meteram em negócios, não enriqueceram nem receberam benesses de empreiteiras beneficiadas durante seus governos. Sequer criaram institutos destinados a preservar seus documentos ou agenciar contratos para  consultorias e palestras regiamente remuneradas.
Bem diferente dos tempos atuais, não é? "
Por exemplo o Lulinha filho do Lula era até pouco tempo atrás funcionário do Butantã/SP, com um salário (já na peixada politica) de R$ 1200,00 e hoje é proprietário de uma fazenda em Araraquara,
adquirida por 47 milhões de reais, e detalhe, comprada a vista.
Centenas de outros politicos, também trilharam e trilham o mesmo caminho.
Se fosse aberto um processo generalizado de avaliação dos bens de todos politicos, garanto que 95% não passariam, ié, seria comprovado destes o enriquecimento ilícito. Como diria Boris Casoy: "Isto é uma vergonha" e pior, ninguém faz nada.